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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'A Luta de uma Vida' traz olhar interessante para o boxe e a Segunda Guerra


Harry Haft (Ben Foster) poderia ser apenas mais uma história de um homem judeu que se perdeu nas garras do nazismo e pereceu nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, algo faz com que ele sobreviva para contar a história: o boxe. Isso mesmo. A habilidade do homem em se sair bem em um ringue de luta faz com que nazistas o transformem em um entretenimento nos campos -- e o deixem por ali tempo o bastante para sair de lá. Essa é a história em A Luta de uma Vida, estreia nos cinemas desta quinta-feira, 8.


Dirigido por Barry Levinson (Rain Man, Bom Dia, Vietnã), o longa-metragem se ancora em dois momentos na vida de Haft. Primeiramente, no campo de concentração, quando usa o boxe como sua única arma contra os nazistas. Ben Foster está transformado fisicamente. No entanto, são nessas cenas que temos as maiores obviedades de A Luta de uma Vida: o preto e branco, a forma de retratar os campos de concentração, a trama absolutamente linear e sem surpresas. É o óbvio do óbvio, como já vimos aos montes por aí e sem qualquer inspiração de Levinson.

O segundo momento da trama, assinada por Justine Juel Gillmer (A Roda do Tempo), trata da vida de Haft nos EUA, batalhando para ser um lutador de boxe profissional -- não só para ter uma carreira, como também para tentar se tornar conhecido a ponto de sua namorada, também levada para os campos, a encontre. É o ponto forte de A Luta de uma Vida, quando temos a carga dramática mais interessante do longa-metragem. Não só a luta pelo mercado do boxe, como também essa complexidade em esquecer o passado, mas sempre retornar à ele.


Foster está bem, mas é prejudicado por essa instabilidade. Quando está nos campos, a história é ruim; quando está nos Estados Unidos, é prejudicado pela maquiagem pesada demais. Acaba se tornando um pouco decepcionante. Pelo menos existem algumas boas atuações secundárias, como é o caso do sempre excepcional Danny DeVito (Irmãos Gêmeos), que aparece pouco, mas é um brilho na trama, e da sempre certeira Vicky Krieps (Trama Fantasma) que, mesmo interpretando aquela esposa que nunca muda, consegue apresentar complexidade no papel.


No final, fica um gosto agridoce na boca. A história é boa, ainda que similar com outras coisas que já vimos -- confesso que saí da projeção achando que era a mesma história contada em Traídos pela Guerra, também sobre um homem sobrevivendo nos campos de concentração por meio do boxe. Escolhas estéticas óbvias, assim como uma narrativa que não surpreende, também fazem com que a experiência geral não seja tão surpreendente como deveria. Mas, no final, ainda dá para se emocionar e levar algumas histórias e ideias como lição para a vida.

 

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