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  • Matheus Mans

Crítica: 'A Menina que Matou os Pais' é filme mediano sobre Suzane von Richthofen

Atualizado: Set 24


Criar expectativas com filmes muito alardeados é algo muito problemático nos cinemas. Afinal, com um marketing mais agressivo, notícias vazadas e elencos inesperados, cria-se ansiedade ao redor do que aquela obra pode nos entregar. É algo que está acontecendo agora com o próximo filme do Homem-Aranha, quando todo o público espera o retorno de atores do super-herói. E, infelizmente, também é algo que aconteceu com A Menina que Matou os Pais.


O filme se propõe a ser um retrato dos relatos jurídicos de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos. Não há, aqui, nada de direitos autorais de nenhuma das partes. São roteiros escritos inteiramente do que está nos autos do processo. E ponto final. E assim, em dois filmes que mostram a versão dos Cravinhos (A Menina...) e de Suzane (O Menino que Matou Meus Pais), entramos no universo desse marcante crime que chocou o Brasil lá nos anos 2000.


Ambos dirigidos por Maurício Eça (Carrossel) e roteirizados por Raphael Montes e Ilana Casoy, os filmes passaram por um périplo: deveriam ser lançados nos cinemas, em dose dupla. Mas logo caiu a estreia por conta da pandemia. Ficaram um ano e meio engavetados até o lançamento no Amazon Prime Video. Nesse tempo todo, havia a expectativa de como seria o retrato dessa história e como Carla Diaz, em foco após o BBB21, estaria como Suzane?

O fato é que, após tanta expectativa, há algo de frustrante no que pode ser assistido já a partir desta quinta-feira, 24, no streaming. Primeiramente: não havia qualquer necessidade de ser dividido em dois. Uma único filme daria conta. Com certeza é alguma questão de contrato de produção. Além disso, essa divisão só mostra como Eça não conseguiu ou, talvez, não pôde ousar. Nem em termos narrativos, com uma trama bem linear, ou até mesmo estéticos.


Tudo é muito centrado, muito comportado -- e oras, estamos falando de um dos crimes mais chocantes da história do Brasil. Tirando uma ou outra cena de nudez, não há ousadia aqui. São filmes que podem, inclusive, ser vistos com a família reunida. Até mesmo o assassinato dos pais de Suzane, ainda que seja uma cena emocionalmente forte, não diz muita coisa. Fica pouco claro o desespero dos dois achando que os pais, mesmo após a violência, ainda não tinham morrido.


A Menina que Matou os Pais, assim como seu "filme irmão", não são chamativos, não ousam, não fazem jus ao fato de serem os primeiros a arriscar de fato no chamado cinema "true crime" brasileiro. Pelo menos o elenco está razoavelmente bem. Carla Diaz derrapa na interpretação no A Menina que Matou os Pais, exagerando muito na interpretação como Suzane. Leonardo Bittencourt e Allan Souza Lima estão mais certeiros como os irmãos Cravinhos, sem problemas.


Por fim, fica a sensação que o projeto de Eça não arriscou como deveria. Pode ser um bom passatempo para quem se interessa pelo tema. Mas não funciona, de maneira alguma, como um filme que brinca com nossa percepção. Não ficamos, ao final, numa dúvida ao estilo Dom Casmurro sobre quem é culpado ou não é. Apenas assistimos aos dois filmes, como relatos quaisquer, e saímos disso impassíveis. Pena: poderia (e deveria!) ter se arriscado muito mais.


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