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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'A Primeira Morte de Joana' é delicado filme sobre florescer sexual


Depois do mediano A Mulher do Pai, a diretora Cristiane Oliveira retorna às telas com A Primeira Morte de Joana para reafirmar sua voz, seu cinema. Depois de uma passagem arrebatadora pelo Festival de Gramado, o longa-metragem chega aos cinemas com uma história muito pertinente: a relação de duas garotas, adolescentes, descobrindo a sexualidade e uma paixão recíproca.


A partir daí, ao longo de menos de 90 minuto, Oliveira constrói um filme real, com atuações naturais e uma proposta bem clara: mostrar o amadurecer de Joana (Letícia Kacperski) ao lado da colega Carol (Isabela Bressane). A primeira vive uma fase de curiosidade, até mesmo envolvendo a solteirice da tia falecida. A outra já partiu para as descobertas -- e sofre com isso.

Ainda que tenha alguns deslizes em sua execução, A Primeira Morte de Joana conta essa história com uma delicadeza rara. Com sensibilidade. Logo de cara, difícil não fazer paralelos com a obra da cineasta francesa Céline Sciamma. Não por conta de Retrato de uma Jovem em Chamas, mas mais pela semelhança vibrante com Tomboy. É a descoberta, o avanço, a sede.


Cristiane Oliveira, assim, se mostra como uma cineasta a ser não apenas descoberta, mas mais celebrada. Seu cinema pulsa, vive e traz uma celebração da existência feminina que não existe apenas pela celebração em si, mas por assuntos que precisam ser tratados mais pelo cinema, pela TV, pelas novelas: descoberta da sexualidade, da orientação sexual, do desejo pelo outro.


Tudo fica ainda mais potente com o final. Enquanto muitos cineastas, nos últimos anos, passaram a ter problemas evidentes de edição de histórias, com filmes com mais de 2h30 ou 3h, Oliveira acerta em cheio. Termina em um momento forte, grandioso, que provoca reflexão enquanto também traz poesia. Razão e emoção. E, com isso, temos um belíssimo filme.

 

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