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  • Matheus Mans

Crítica: 'A Última Floresta' é filme sobre resistência indígena


Ainda que sempre haja lembranças do genocídio indígena na época da colonização, as populações nativas das Américas sofrem sequenciais atentados contra a vida. Uma das ameaças mais frequentes é a dos garimpeiros que, desde a "explosão do ouro" nos anos 1980, invadem territórios indígenas e ameaçam a vida dessas populações. Sem falar de assassinatos.


É justamente sobre isso que fala A Última Floresta, novo documentário do ativista e cineasta Luiz Bolognesi (do ótimo Ex-Pajé). Aqui, ele acompanha a jornada dos índios Yanomami, retratando com cuidado a rotina dessas pessoas, com foco no xamã e líder político Davi Kopenawa, e também a história que permeiam aquelas terras, com toda sua força e raízes.


Assim, para reverenciar ao máximo esse povo, Bolognesi toma as melhores decisões estéticas possíveis. Há poucas interferências do cineasta nas cenas, ao contrário do já citado Ex-Pajé, deixando a iluminação natural daquela comunidade tomar conta da estética. Não há excessos de iluminação, nem um trabalho de fotografia que mais atrapalha do que ajuda. Tudo é natural.

O roteiro, enquanto isso, segue dois caminhos. De um lado, mostra as raízes, lendas e entidades daquele povo com encenações realizadas pelo próprio povo. Isso, claro, engrandece a narrativa e deixa tudo ainda mais rico. Não apenas assistimos a rotina dessas pessoas, como mergulhamos na cultura. É um trabalho essencial para esses povos não sumirem da memória coletiva.


Do outro, e é aqui que encontramos os melhores momentos, vemos Davi Kopenawa batalhando por sua comunidade, seja tirando garimpeiros da região, ensinando os mais jovens a como lidar com os não-indígenas ou, ainda, articulando com outras comunidades. É um retrato forte, de resistência, que forma uma consonância interessante com o curta Yãkwá, imagem e memória.


Assim, Bolognesi, de novo, fala sobre esses povos originários com respeito. Ainda que narrativa peque aqui e ali, com uma falta de ritmo evidente, a mensagem permanece. Ainda mais em um momento tão frágil e perigoso para essas pessoas, que continuam ameaçadas por um governo genocida e a ameaça do coronavírus. É um filme que vai além de sua narrativa. É resistência.

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