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  • Matheus Mans

Crítica: 'Adeus, Idiotas' é divertida e espirituosa comédia francesa


Que boa surpresa é o longa-metragem Adeus, Idiotas, produção francesa que chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 24. Dirigido por Albert Dupontel (dos apenas medianos Nos Vemos no Paraíso e Uma Juíza Sem Juízo), o longa-metragem acerta justamente onde o ator e cineasta francês errou antes: faz rir e emocionar sem ser piegas ou brega.


Afinal, a história já começa bem. Acompanha a jornada de Suze Trappet (Virginie Efira, sempre magnífica), uma mulher que descobre estar com os dias contados. Por conta da química que há em sprays para cabeleireiros, adquiriu uma doença impossível de ser curada. Desesperada, ela decide ir atrás do filho que abandonou quando era adolescente e não tinha meios de ser mãe.


O filme ganha volume, porém, quando a trajetória de Suze esbarra com a de Jean-Baptiste Cuchas (o próprio Dupontel), um técnico em informática que quer colocar um fim em sua própria vida por conta de um fracasso no trabalho. A partir daí, cada um com seu interesse, os dois começam uma jornada para reencontrar o garoto — sem qualquer pista mais evidente.

Há qualidade visível na direção de Dupontel, que evoluiu a olhos nus desde sua estreia em Bernie. Afinal, ainda que medianos, Nos Vemos no Paraíso e Uma Juíza Sem Juízo já mostrava um domínio da câmera e do espaço. Só decepcionava mesmo na história. Em Adeus, Idiotas, enquanto isso, a habilidade já é vista na primeira cena, cheia de humor nas entrelinhas e tensão.


Algumas piadas do roteiro ficam no limite do tosco e do desnecessário, mas a maioria delas funciona. Um punhado delas serve para dar aquele risinho leve, de canto de boca. Outras, gargalhadas — confesso que a confusão do bebê com um médico idoso, apesar de ridícula, me fez rir horrores. Mostrando talento, Dupontel ainda coloca drama na equação sem exagerar.


Muito disso se deve ao que é vista em cena do lado de Virginie Efira (de Benedetta) e do próprio Dupontel. A química dos dois é sentida e eles se encaixam em seus personagens. O ator/diretor, aliás, nunca fez tanto sentido como um funcionário fracassado. Obviamente, é um filme mais voltado aos que gostam de cinema francês. Mas, cá entre nós, vale a penar dar uma espiada.

 

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