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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Agradecimento e Desculpas', da Netflix, flerta com a comédia sem ser engraçado



Certo dia, Sara (Sanna Sundqvist) está tocando sua vida, grávida e mãe de um garotinho pequeno, quando percebe que já passou da hora de acordar o marido. Quando entra no quarto e tenta acordar Daniel, percebe que o esposo está morto. Morreu enquanto dormia. É aí que Agradecimento e Desculpas, estreia da Netflix nesta terça-feira, 26, mostra a sua cara.


O longa-metragem sueco dirigido por Lisa Aschan (do fraquinho Ring mamma!) e roteirizado por Marie Østerbye (da série Rita) segue a partir daí para falar sobre essa mulher tentando reencontrar seu lugar no mundo enquanto está absolutamente sozinha -- é distante da irmã, finge que o pai não existe e parece não se dar nada bem com os sogros, pais de Daniel.


Obviamente, dentro desse filme que fala primordialmente sobre luto, conta com momentos que abraçam o drama intensamente -- uma cena em específico, que mostra o filho de Sara chorando à noite dizendo que sonhou com o pai enterrando a mãe, é forte sem exagerar. Ela acaba encontrando forças com a irmã (Charlotta Björck), que volta do nada em sua vida.


O problema é que Aschan e Østerbye, sem um grande currículo anterior, não sabem bem equilibrar esse universo do drama familiar com uma comédia de costumes que surge no subtexto aos poucos e vai crescendo. Agradecimento e Desculpas -- que seria um título bem melhor se fosse o literal Obrigado e Desculpe -- não sabe se equilibrar nesses dois mundos.


A comédia, afinal, que surge principalmente da relação de Sara com os sogros e das situações envolvendo a irmã -- todas elas absurdas, envolvendo uma personagem em pressão e que acaba indo além. Alguém pode alegar que é apenas um humor nórdico estranho, mas tudo indica que é muito além disso: é direção e roteiro que não conseguem conversar.


Agradecimento e Desculpas, assim, poderia ser um filme bem mais interessante se o longa soubesse fazer rir da tragédia. No entanto, esta produção da Netflix acaba apostando em equilibrar os dois mundos de maneira quase igual, tornando todo o processo um tanto quanto constrangedor e desconfortável. Falta inventividade e talento na equação, infelizmente.


 

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