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  • Matheus Mans

Crítica: 'Amador', da Netflix, é drama emocional genérico


Filmes sobre basquete não são uma novidade. Nesse subgênero, já foi possível ver histórias de superação (Encontrando Forrester, Jogada Decisiva), de diferenças raciais desafiadas em quadra (Estrada para a Glória), romance (Jogada Certa) ou comédias com os Looney Toones (Space Jam). Amador, novo filme original da Netflix, infelizmente, não consegue escapar das fórmulas já usadas por todos esses exemplos, criando um longa-metragem sem novidades e esquecível.

No centro da trama, o espectador é apresentado ao jovem Terron Forte (Michael Rainey Jr), um rapaz da periferia dos Estados Unidos que se revela como uma verdadeira sensação do basquete. A vida do menino, porém, não é fácil: o time da escola é amador, os pais passam por dificuldades financeiras e o ensino é defasado, já que Terron não consegue interpretar números -- uma espécie de dislexia. A coisa só muda quando ele é convidado para integrar uma escola de elite.

A partir daí, o diretor estreante Ryan Koo cria uma história de superação misturada com o amor pelo basquete. Há elementos clássicos do subgênero aqui, como os colegas de time que zoam o rapaz novo; o técnico que faz de tudo para conseguir alavancar o astro; e toda dificuldade familiar que faz Terron dividir sua atenção entre as quadras e os problemas de casa. São várias situações batidas e que fazem o filme ter um ar de que já foi visto outras vezes.

Infelizmente, o longa perde uma chance gloriosa de entrar num ponto ainda inédito dessas histórias no cinema: a exploração infantil em nome do esporte. Em determinado momento do longa, esse tema começa a ser explorado de maneira delicada, mas forte, criando uma sensação de que Amador iria para uma área contestatória da prática obsessiva do esporte -- como Um Homem Entre Gigantes fez, de maneira mediana, com o futebol americano e o bom Diário de um Adolescente, com di Caprio, fez com aspirantes a astro do esporte. Só que não.

Ryan Koo, que também é o roteirista do longa, acaba usando esse artifício para engrandecer a lógica de self made man americana. É desanimador. Afinal, o cineasta joga fora todo um trabalho ara recompensar o público de alguma maneira. Assim, a sensação de ser um filme genérico volta com tudo.

E o restante dos aspectos técnicos do filme não surpreendem ou elevam a qualidade dessa produção original da Netflix. Michael Rainey Jr. (O Mordomo da Casa Branca) está bem, mas falta força interpretativa para ser considerado um bom ator. Por enquanto, é só regular. No quesito de coadjuvantes, apenas atores funcionais: Josh Charles (Norman) faz um técnico interessante e Brian White (O Segredo da Cabana) tenta dar camadas ao pai de Terron, mas não consegue.

No final, Amador é um filme que tinha potencial para tocar em temas delicados dos EUA, como o abuso de estudantes em favorecimento do esporte e o aproveitamento de pais e técnicos sobre isso. Mas Ryan Koo não tem coragem de ir além e acaba por construir um drama fraco, genérico e que ficará esquecido na memória dos filmes sobre esporte. Quer uma boa história sobre basquete? Vá ver Diário de um Adolescente ou Coach Carter. Bem melhores e mais corajosos.