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  • Matheus Mans

Crítica: 'Amálgama', da Netflix, é filme que demora a encontrar um propósito


Irmão do cineasta Alfonso Cuarón, de longas como Roma e Gravidade, Carlos Cuarón assinou o roteiro de um dos filmes com a maior carga de tensão sexual de todos os tempos: E Sua Mãe Também. É uma explosão, um filme quente. Por isso, havia certa expectativa com Amálgama, filme que estreou no catálogo da Netflix nesta quarta-feira, 13, com Carlos na direção e roteiro.


O longa-metragem, afinal, também segue por um caminho que poderia ter essa mesma explosão de tensão sexual: a história é sobre quatro amigos dentistas que decidem deixar um congresso para trás, pelo menos por alguns dias, para usufruir das maravilhas de uma ilha deserta. Esses três homens e essa única mulher, então, passam por novas experiências.


Com classificação de 18 anos, o filme promete muito e entrega pouquíssimo -- para quem ficou curioso, essa classificação altíssima é por conta de duas cenas de sexo, com praticamente nada de nudez. A tensão sexual, enquanto isso, dá lugar à uma comédia que brinca com os interesses amorosos desses quatro personagens, presos em um ilha e com interesses que se cruzam.


Por aí, o longa-metragem chega a ser divulgado como um filme LGBTQIA+, mas também não faz muito sentido. Um dos personagens é gay, numa revelação tardia, e não há absolutamente nada de desenvolvimento nisso. Amálgama, assim, fica em um mundo de ideias, com algumas sugestões e ideias jogadas ao léu, esperando que algo realmente funcione na tela da Netflix.


O objetivo da história acaba ficando claro apenas nos últimos minutos, no final do terceiro ato, quando algumas máscaras caem e algumas relações são construídas. Carlos Cuarón, assim, perde o timing de construir essa ambientação e esse clima que, sem dúvidas, poderiam trazer uma experiência diferente ao espectador. Fica tudo no quase, em um espaço de mesmice.


Amálgama, assim, é um filme que poderia muito mais, dado o histórico de Carlos Cuarón. Mais tensão, uma ambientação melhor ou até mesmo uma história mais divertida. No entanto, sem identidade, o longa-metragem fica perdido no meio de várias intenções que nunca encontram de fato o que querem realmente contar nessa história de encontros, desencontros e relações.


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