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  • Matheus Mans

Crítica: 'Amor Fati' é emocionante filme sobre encontro de almas


É engraçado: quando li a sinopse de Amor Fati, longa-metragem em cartaz no Brasil desde a última quinta-feira, logo pensei naquele amor óbvio, banal, casual. No entanto, rapidamente, a cineasta Cláudia Varejão mostra que o amor não precisa ser necessariamente entre maridos, esposas e afins. Aqui, Amor Fati desconstrói essa ideia para falar de encontro de almas.


Afinal, ao longo de pouco mais de 100 minutos, Varejão mostra a vida, rotina e compreensão entre essas almas predestinadas, que se amam incondicionalmente. São as irmãs idosas, o rapaz e seu cão, mãe e filho, amantes que se parecem. É, enfim, o âmago da expressão latina que dá nome ao filme, amor fati, que significa o amor a algo, o amor ao destino, o amor certeiro.


Sensível, Varejão não caiu no óbvio -- e havia muito espaço para isso acontecer. Ela, porém, encontra esse amor no cotidiano e nas pessoas que menos esperamos. O carinho que o rapaz tem por seu cão, por exemplo, é muito mais sensível e verdadeiro do que um casal óbvio que poderia habitar a tela. A preocupação da mãe com o filho cego também é um destaque absoluto.

Há um certo cansaço na maneira que Amor Fati tem sua estrutura editada, com previsibilidade na maneira que as histórias se sucedem. Com tantos personagens e amores retratados, também há a sensação de inchaço. Será que não poderia ter focado em menos histórias, mas com mais desenvolvimento de personalidades? Fica um pequeno incômodo de mesmice, de repetição.


Ainda assim, a sensibilidade vence o marasmo e Amor Fati diz muito sobre o que já vivemos e o que ainda podemos viver. O amor está nos espaços vazios a serem preenchidos, no olhar carinhoso, no irmão que ainda não nasceu ou na pessoas que ainda não encontramos. Varejão, mais do que retratar isso, dá esperança de um amor que parece impossível em tempos duros.


No entanto, se não fosse esse amor fati, não estaríamos aqui, não teríamos resistido. E por isso é certeiro de que o longa-metragem chega no momento mais especial e essencial que poderia chegar. Tem suas imperfeições, é claro, mas a sensibilidade e delicadeza vencem de goleada esse cansaço que insiste em aparecer. Quer ter fé e esperança? Amor Fati é um bom caminho.


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