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  • Matheus Mans

Crítica: 'Angry Birds 2' é mais divertido e adulto do que o antecessor


Ninguém acreditava no potencial fílmico de Angry Birds, jogo de passarinhos explosivos que ganhou sua primeira adaptação para as telonas em 2016 num filme divertidinho, mas esquecível. Agora, na sequência Angry Birds 2, os pássaros mais bravos da cultura pop ganham um longa-metragem à altura. Muito mais adulto, engraçado e explosivo.

Dirigida pelo americano Thurop Van Orman (da série As Trapalhadas de Flapjack), a nova animação deixa a rivalidade entre pássaros e porcos de lado para focar num novo inimigo. Red (Jason Sudeikis) está colhendo os louros de ser um herói nacional quando blocos de gelo começam a ameaçar a soberania das ilhas dos porcos e dos pássaros.

É aí que ele reúne o grupo Chuck (Josh Gad), Bomb (Danny McBride) e Leonard (Bill Hader) para enfrentar a ameaça e evitar que suas casas sejam totalmente destruídas.

Como dito, Angry Birds 2 tem um tom bem mais adulto. Ainda que não haja piadas explícitas ou que deixem as crianças em situação desconfortável, há sugestões que só os adultos irão rir. Além disso, Van Orman percebe o absurdo da história e a leva para um tom mais non sense. A cena do mictório, vista no trailer, é o ápice da bizarrice.

Muitas dessas cenas, aliás, dão a deixa para gargalhadas sinceras. Essa tal sequência do mictório é de fazer chorar de rir. Uma outra com Bomb é igualmente hilária.

Além disso, os personagens parecem mais soltos no roteiro de Peter Ackerman (A Era do Gelo), Eyal Podell (PéPequeno) e Jonathon E. Stewart (Carros 3). A Sony parece que aprendeu após o fracasso retumbante de Emoji: o Filme e deve estar deixando a criação de história mais livre. Se tivesse mão de produtores, Angry Birds seria bem diferente.

O roteiro, aliás, destaca uma trama que corre em paralelo de três filhotes de pássaro tentando recuperar ovos perdidos. No começo, parece um pouco fora de tom e quebra o ritmo da narrativa. Mas, aos poucos, vai lembrando as intervenções do inesquecível Scrat, de A Era do Gelo, e vai fazendo sentido. Difícil segurar o riso por aqui também.

Vale destacar, também, o cuidado com a trilha sonora. Tem Baby Shark, David Bowie, Eye of the Tiger, Pitbull, Vanilla Ice e até um hit do inexorável Lionel Ritchie.

Há coisa que ficam devendo, claro. A mensagem acaba surgindo, no final, de maneira torta e pode incomodar quem estiver mais conectado com pautas feministas e de empoderamento -- há uma dependência masculina um pouco sem sentido. Além disso, há algumas tramas que ficam sobrando e não são muito bem resolvidas no final.

Mas Angry Birds 2 é, inegavelmente, um filme divertido. Dá pra rir, passar o tempo e se distrair com uma série de piadas bem encaixadas, músicas marcantes e personagens que vão se tornando mais marcantes nos cinemas. Quem diria, hein? O filme que finalmente quebraria o tabu dos games nas telonas é o desses pássaros explosivos.