Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: 'Anne Frank, Minha Melhor Amiga', da Netflix, é filme sem brilho


A história de Anne Frank já foi contada e recontada inúmeras vezes desde a publicação do diário da garotinha holandesa. Se alguém não leu os escritos de Anne, certamente viu algum filme ou ouviu alguma história que dê conta da jornada da menina e de seus familiares. Por isso, é preciso muito esforço para que uma nova trama sobre Anna Frank seja original e chamativa.


Infelizmente, Anne Frank, Minha Melhor Amiga não chega nesse ponto. Produção original da Netflix, o longa-metragem coloca o foco em cima de Hannah Goslar (Josephine Arendsen), melhor amiga de Anne. Com isso, mais do que a história do diário, o espectador consegue ver com mais exatidão a vida comum da garota holandesa pelos olhos dessa pessoa "de fora".


Com isso, o cineasta Ben Sombogaart traz uma desconstrução de Anne: ela tem falhas na amizade com Hannah, está na puberdade e fala exageradamente de beijos de língua e do sexo masculino. É um tipo de visão não visto até então, já que a maioria das produções que adaptam os diários da garotinha buscam colocam uma aura de inocente ao seu redor, repleta de pudor.


No entanto, apesar desse olhar fora da curva, Anne Frank, Minha Melhor Amiga não consegue dar brilho e originalidade para a trama. Tudo continua muito igual; é como se Hannah fosse uma Anne Frank 2.0 -- só que sem o diário. Ela tem a mesma personalidade de Frank já vista em O Diário de Anne Frank (1959) ou, ainda, da boa adaptação Anne Frank: The Whole Story (2001).


Além disso, há o esgotamento natural da temática da Segunda Guerra Mundial. Ainda que a Netflix tenha acertado recentemente com Munique: No Limite da Guerra, o mesmo não acontece aqui. É aquele velho retrato do conflito, sem qualquer ousadia. Temos boas atuações, sim, e é uma história que merece o resgate. Mas já vimos muitas tramas sobre outras Hannahs por aí.


Com isso, Anne Frank, Minha Melhor Amiga termina sem brilho. Não é memorável, tampouco adiciona novas discussões. Apenas recai em um tema antigo, com um tratamento já visto, e que tenta se equilibrar apenas na diferença de tratamento com Anne Frank -- algo que, também, cai por terra. Fica, assim, a pergunta: será que já não bastam todas essas histórias que já vimos?

 

1 comentário