Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: Apesar de problemas, 'Ameça Profunda' ganha espectador pela tensão


Ameaça Profunda é um filme que não está preocupado em se explicar. Dirigido por William Eubank (O Sinal) e roteirizado por Adam Cozad (A Lenda de Tarzan) e Brian Duffield (A Babá), o longa-metragem começa e termina sem explicar direito quem são seus protagonistas, pelo que passaram e, muito menos, ir afundo na ameaça que ronda esses personagens quase anônimos.


Afinal, Eubank, em momento algum, quis fazer um filme apelativo e que tenta pegar as pessoas pelo blá-blá-blá. Assim como o excelente Até o Fim, com Robert Redford, a preocupação é com o ser humano que está do outro lado. Não com quem é ou o que deixa de ser. Eubank espera que haja essa identificação pela simplicidade. Já as criaturas buscam assombram só pelo visual.


E conseguem. Na trama, funcionários de uma base submarina, a quilômetros de profundidade no oceano, estão tocando suas vidas até que a pressão do local é rompida. É aí que um grupo, liderado por Norah (Kristen Stewart) e pelo capitão do local (Vincent Cassel), precisará dar um jeito de atravessar o oceano para fugir. Mas encontrarão criaturas bizarras no meio do caminho.


É quase uma mistura de Alien com a franquia Cloverfield e Tubarão. Cheio de jumpscares previsíveis, mas que conseguem pegar o espectador pelo desconforto do imprevisível no fundo do mar, Ameaça Profunda é um filme que guia seu espectador por meio de um emaranho de suspense, horror e medo do imprevisível. Esses sentimentos, sozinhos, seguram a trama toda.


É difícil, afinal, não sentir certa ansiedade com o fundo do mar -- um local perfeito para filmes de terror, mas pouco explorado no gênero. É quase o espaço: um amplo e escuro desconhecido.

Stewart (As Panteras), Cassel (Cisne Negro) e T.J. Miller (Deadpool) também ajudam a criar essa ligação entre espectador e personagens. A estrela de Crepúsculo reafirma, para quem ainda insiste em não enxergar, que ela cresceu como atriz e tem capacidade para muito mais. Faz as cenas de ação com facilidade e, ainda, emociona nos momentos certos. É uma atriz completa.


O grande problema do filme, assim, está na direção de Eubank. Além de um uso genérico de elementos do horror (como a trilha sonora exagerada, as idas e vindas de câmera e coisas do tipo), o cineasta não consegue filmar as cenas com a grandiosidade que merece. Não é fácil, de fato, criar cenas no fundo do mar. Mas também não dá pra ficar a confusão que ficou no filme.


Uma cena em específico, envolvendo um resgate do personagem de Cassel, é desesperadora de tão mal filmada e editada. Nada faz sentido, nada encaixa. Quando acaba, o espectador fica desnorteado, sem saber o que causou aquilo e como chegaram naquele outro ponto. É uma pena. Uma fotografia mais cuidadosa e um diretor atento poderiam ter criado uma boa cena.


Por fim, como ressaltado, há aspectos genéricos demais. Os jumpscares são qualquer coisa, uns monstros parecem saídos de Alien, outros de Cloverfield -- seria bem legal se o filme fizesse parte do universo do monstro. Para o diretor que comandou O Sinal, que tem uma reviravolta interessante e boa originalidade, há certa frustração. A sensação é que poderia ter ido além.


Mas é isso. Ameaça Profunda é um filme que desperta emoções, dá um certo medinho e termina com um saldo positivo de boa história, bons atores e boas criaturas. Um pouco mais de cuidado na criação do ambiente e no comando das cenas resultaria num filme muito mais coeso e interessante de ser assistido. Da forma que ficou, se torna apenas mais um na multidão. Pena.

#Crítica #Cinema #Terror #Suspense #Filme