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  • Matheus Mans

Crítica: 'As Aventuras de Gulliver' exagera na simplicidade e na falta de esmero


O livro As Viagens de Gulliver chegou às prateleiras ainda no século XVIII, se tornando um dos contos de fadas seminais da cultura popular. Com isso, é natural que a história seja tão adaptada ao longo dos séculos -- seja no teatro, em obras de arte e, é claro, cinema. E nesta quinta-feira, 3, mais uma adaptação ganha as telonas com o simplório As Aventuras de Gulliver.


Produção ucraniana e com direção de Ilya Maksimov, o longa-metragem mostra Gulliver retornando para a pequena Lilliput. No entanto, nada de gigantes e pessoas do tamanho de um polegar. As Aventuras de Gulliver, na verdade, também traz um ressignificado para a história: Gulliver é gigante em suas atitudes e gestos, não de tamanho. Há uma metáfora por aqui.

No entanto, engana-se quem pensa que a animação vá muito além disso. Simplório do começo ao fim, o longa-metragem em momento algum traz algum tipo de reflexão ou de originalidade em seu escopo narrativo. Acompanhamos Gulliver enfrentando o rei de Lilliput, se apaixonando, depois encontrando um novo desafio... Nada é realmente criativo. Tudo é muito óbvio e cansativo.


E por mais que a gente dê algum desconto por ser uma animação fora do eixo Estados Unidos e Europa Ocidental, As Aventuras de Gulliver tem uma estética problemática. Parece que falta renderização nas cenas. Os personagens estão sempre com uma luz chapada, como se houvesse um foco de luz eterno sob eles. É estranho e pouco natural -- atrapalha a experiência.


As Aventuras de Gulliver pode até agradar aquele público bem infantil, aquelas crianças que apenas querem ficar olhando a tela e dando risadas de cacoetes dos personagens -- o rei de Lilliput é um personagem feito sob medida para isso. De resto, é difícil encontrar um público que se contente com o filme. Pelo menos, no final, nós temos uma animação vinda da Ucrânia.

 

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