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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'As Linhas Tortas de Deus', da Netflix, exagera nas reviravoltas, mas diverte


Todo mundo sabe que Oriol Paulo tem um vício: reviravoltas. Todos seus filmes, em maior ou menor quantidade, contam com plot twists inacreditáveis. Alguns funcionam mais, como no inacreditável El Cuerpo, enquanto outros ficaram em um terreno complicado, como o fraquíssimo Durante a Tormenta. Agora, o novo As Linhas Tortas de Deus, estreia desta sexta-feira, 9, fica no meio do caminho: exagera nas reviravoltas, mas ainda assim empolga.


A história se concentra em Alice (Bárbara Lennie), uma mulher que decide se internar em um hospital psiquiátrico com um objetivo único: descobrir a história por trás de um crime que ocorreu naquele lugar anos atrás. Obviamente, por ser um filme de Oriol Paulo, nada é o que parece ser. Personagens que pareciam estabelecidos vão se transformando drasticamente, sem aviso prévio, e o espectador perde aquela linha de segurança. Não sabemos no que confiar.

Nesse ponto, o filme tem erros e acertos. Por um lado, as reviravoltas trazem momentos de diversão. É legal ver as coisas se transformando e a narrativa buscando novos caminhos -- é a graça, afinal, do plot twist. Oriol Paulo, aliás, sabe mexer com os ânimos, percepções e ideias do espectador como poucos. No entanto, ao mesmo tempo, o excesso de reviravoltas cansa, quase se torna banal no final. São tantas mudanças de direção que o que era pouco usual vira normal.


Com isso, rapidamente, As Linhas Tortas de Deus se torna um filme cansativo. Mais do que isso, aliás: um filme problemático. Há vários furos de roteiro e muitas questões temporais simplesmente não encaixam. Parece que, quando Paulo começou a amontoar as várias reviravoltas, a essência da história se perdeu. É uma duplicata de emoções, então. Por um lado, a diversão das mudanças. Do outro, essa sensação de que a narrativa simplesmente se esvai.


Pelo menos, Bárbara Lennie (A Garota de Fogo) é um acerto incontestável. Apesar dessa falta de rumo da história em alguns momentos, a atriz continua como uma protagonista impecável, que nunca abandona o fio da meada de sua personagem -- por mais que ela passe por mudanças. É o coração de As Linhas Tortas de Deus que, com certeza, não é dos melhores filmes de Oriol Paulo, mas continua divertindo e mostrando que é um cineasta espanhol deveras criativo.

 

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