• Matheus Mans

Crítica: 'Atrás da Sombra' é instável filme policial brasileiro


Nos últimos anos, o cinema brasileiro começou a mergulhar em tramas “de gênero”. São filmes policiais, de terror e suspense, que começaram a ganhar espaço nas telonas, como As Boas Maneiras, A Divisão, dentre outras. Agora, nesta quarta-feira, 15, estreia em video on demand mais um exemplar desse movimento: Atrás da Sombra, novo filme do goiano Thiago Camargo.


O longa-metragem conta a história de Jorge (Bukassa Kabengele), um investigador particular contratado para descobrir detalhes de uma jovem. Ao chegar na cidade alvo da investigação, porém, ele acaba se deparando com seres sobrenaturais. É uma mistura de cinema noir, thriller, terror e trama sobrenatural, que vão se intercalando em camadas imprevisíveis e interessantes.


Aparentemente simples, a trama esconde discussões potentes e vai além de um simples thriller. Assim, a partir dessa investigação, Thiago Camargo fala sobre racismo, religião, crenças e descrenças. Tudo isso através de personagens bem marcados, com profundidade e cuidado na criação, que acabam colocar o espectador numa embarcação rumo à importantes discussões.


Além disso, apesar de Atrás da Sombra não tocar diretamente no tema do racismo, a discussão surge a partir de vários olhares. Primeiramente, o personagem de Bukassa chega em uma pequena cidade de Goiás e logo é visto como um “corpo estranho” ali. É maltratado, abordado por policiais, recebe olhares. Interessante notar, porém, que tudo ali acaba sendo sob os panos.


Também vale ressaltar que os personagens não são estereótipos. A personagem de Elisa Lucinda, por exemplo, vai na contramão do que qualquer cineasta poderia se valer desse tipo.


No entanto, uma pena, o filme erra no ritmo. A narrativa é exageradamente lenta, perdendo o espectador facilmente. É preciso ter paciência para a trama engatar. Além disso, em alguns momentos, Camargo perde o fio da meada. O protagonista Jorge, por exemplo, acaba mergulhado em apatia quando precisa de força, garra e desenvolvimento. O filme cai.


No final, há um certo cansaço. O ritmo vai decaindo e nem mesmo a originalidade da trama e do diretor resgatam o interesse. Assim, é um filme que deve dividir opiniões. Alguns vão gostar pelo experimentalismo e o clima noir brasileiro. Outros vão achar chato e até mesmo pretensioso. Mas o fato é que é um filme a ser celebrado. Afinal, é terror brasileiro. Vale a visita.

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