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  • Matheus Mans

Crítica: 'Awake' foca em 'Bird Box', mas é só um passatempo razoável da Netflix


Não há sombra de dúvida de que a Netflix está correndo atrás de um novo Bird Box, distopia apocalíptica que se tornou um dos pilares cinematográficos do serviço de streaming. E Awake é mais uma tentativa nesse sentido. Dirigido por Mark Raso (de Kodachrome, também da Netflix), o longa-metragem mergulha em um mundo apocalíptico em que ninguém consegue dormir.


É isso mesmo. Depois de uma pane inexplicável em eletrônicos, o planeta é varrido por essa estranha epidemia -- talvez, inclusive, com um fraco contexto da nossa dependência em celulares. O ponto fora da curva é a filha de Jill (Gina Rodriguez), que consegue pegar no sono sem maiores problemas. É neste ponto, então, que começa uma corrida contra o tempo.


Afinal, de um lado, Jill quer proteger a garota de cientistas, militares e do governo em fazer testes sem fim. Ela pode ser a cura, claro, mas não se sabe até que ponto podem chegar. Em outra instância, a protagonista também entende que, sem dormir, as pessoas devem começar a morrer. A parar de funcionar. E, dessa forma, precisa ensinar a garota a sobreviver no mundo.

Essa dicotomia é o ponto alto do roteiro de Joseph e Mark Raso. É o grande motor por trás de toda a trama que acompanhamos ao longo de 96 minutos. Afinal, outros pontos que poderiam chamar a atenção do público, não ganham força. A própria atuação de Rodriguez (Jane, The Virgin) começa com força, mas acaba seguindo por um caminho automático, pouco original.


Além disso, Awake belisca algumas questões existenciais e sociais que poderiam dar ainda mais fôlego para o filme. Mas, novamente, não vão além. Logo no começo da rodagem, por exemplo, vemos uma espécie de culto nascendo ao redor da garota -- lembrando, inclusive, O Nevoeiro. Só que Raso não vai além, não cultiva essa ideia. Se torna uma trama de sobrevivência simples.


Por fim, há certa decepção com o tom insano da produção. Oras, quando ficamos algumas horas sem dormir, já não pensamos direito, agimos de maneira estranha. Imagine ficar dias, mais de uma semana sem pregar o olho. Essa maluquice, provavelmente regada com violência, nunca vai até seu ponto máximo. Fica ali, descendo uma ladeira na banguela, e sem a força necessária.


Awake termina assim: uma ideia interessante, que poderia inclusive chegar perto do que foi Bird Box, mas que não é bem desenvolvida em quase nenhum aspecto. Apenas um fiapo de roteiro segura o público até o fim, servindo como um passatempo razoável na Netflix. Não é intrigante, não desafia o público, não provoca. É um filme de sobrevivência como outro qualquer. Pena.

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