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  • Matheus Mans

Crítica: 'Belle' é espetáculo visual com excesso de história


Antes de mais nada, já vamos direto ao ponto: Belle é um espetáculo visual como há tempos não se via nos cinemas. Colorido, criativo, digital. O longa-metragem de animação japonês causa aquele espanto, aquela emoção genuína de se ver um trabalho realmente potente em termos visuais. É um trabalho digno do Studio Ghibli, dos melhores estúdios de animação do mundo.


Dito isso, o mesmo esmero não é visto narrativamente. Dirigido por Mamoru Hosoda (Guerras de Verão), que também assina o roteiro, Belle conta a história de uma garotinha tímida e insegura que entra numa espécie de metaverso. Seu avatar é uma fada cantora, de voz impecável, e que parece representar tudo que Suzu, essa protagonista tão tímida, não é e nem consegue ser.


Em uma outra camada narrativa, ainda há uma relação da avatar com uma fera que não revela sua identidade e que se mostra como um verdadeiro mistério dentro desse mundo virtual. É uma recriação moderna e digital da história de A Bela e a Fera. Nada da França de antigamente, de castiçais falantes ou coisas do tipo. Hosoda coloca toda essa trama sob nova perspectiva.

No entanto, o cineasta e roteirista não se contenta em ficar apenas nessa adaptação. Dentro de Belle existem várias histórias: a própria história da protagonista dentro e fora do mundo digital; romances de amigos; o drama familiar de Suzu; e até mesmo uma história absurdamente densa, já perto do final da história, que surge sem qualquer tipo de aviso ou até mesmo preparo.


É um excesso claro e evidente. Fica a sensação de que Belle não tem foco, não tem objetivo. Ainda que fique bem claro que a história digital seja a mais importante, e a que move a maioria das tramas para além desse metaverso, há um inchaço estranho e desconfortável. É fácil perder o foco e, principalmente, o interesse pelo que está sendo contado. Só visual não segura filme.


Faltou para Mamoru Hosoda um pouco mais de clareza do que deveria ser explorado. Se a narrativa fosse um pouco mais alinhada, seria um filme brilhante. Mas não é, infelizmente. Belle fica excessivamente no mundo das ideias, sem encontrar o fio narrativo essencial para seu desenvolvimento certeiro. Uma pena. Afinal, de boas ideias e visuais, Belle está cheio.

 

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