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  • Matheus Mans

Crítica: 'Bleach', da Netflix, vale apenas pelas cenas de ação


A Netflix tem entrado numa onda de adaptações live action de grandes sucessos do anime e do mangá. Começou com Death Note -- que rendeu diversas piadas sobre a qualidade do longa -- e, recentemente, desembocou no razoável Fullmetal Alchemist. Agora, o streaming faz mais uma aposta neste universo com Bleach, adaptação de uma cultuada série de mangá. É o melhor dos três, mas o resultado ainda não anima.

A produção acompanha a história de Kurosaki Ichigo (Sôta Fukushi), um rapaz do ensino médio que pode ver, tocar e falar com espíritos de pessoas mortas. O tal "dom" ganha ainda mais força quando, um dia, ele encontra Kuchiki Rukia (Hana Sugisaki), uma deusa da morte. Assim, a vida do rapaz, a partir daí, entra numa série de transformações e mudanças rápidas, estranhas e nem sempre totalmente agradáveis.

O longa-metragem, que tem produção da Warner Bros., tem um ar muito mais próximo de Fullmetal Alchemist do que de Death Note, que foi produzido pela própria Netflix. Todo o clima da produção opta por ficar mais próximo do mangá e do anime, seja o visual dos personagens, a ambientação, a forma de filmar e, até mesmo, a palheta de cores utilizada. A recriação de algumas criaturas, como o Hollow, também funciona e cria certo impacto na tela. Os fãs da trama original, por mais adaptações que a história tenha recebido, devem ficar satisfeitos com o resultado geral e o fan service frequente.

No entanto, nada disso serve ao público comum, que apenas busca uma boa diversão. Quanto a isso, há problemas graves. Primeiro: o elenco, novamente, se mostra artificial demais, como em Fullmetal Alchemist. Por mais que pareça ser fruto de orientações do diretor Shinsuke Sato (Death Note: Iluminando um Novo Mundo, não o da Netflix) para deixar a trama mais onírica, tudo fica muito pastelão. Sôta Fukushi é cheio de caras e bocas. Não funciona. O mesmo vale para Hana Sugisaki e Miyavi. Interpretações rasas.

A história também, como uma grande aventura, pouco empolga. Ainda que a trajetória do personagem principal seja bem delimitada, os aspectos técnicos reduzem o impacto.

O que salva -- e amplia os benefícios frente à Fullmetal Alchemist e Death Note -- são as excelentes cenas de ação. Sôta Fukushi possui muita habilidade coreográfica e deixa as lutas bem mais interessantes. Junto com os efeitos especiais bem dosados, é difícil desgrudar da tela quando algum conflito está rolando. É o que, de fato, vale no filme.

Bleach é uma adaptação que pode agradar o público fã da história, com bons fan services e uma produção fiel ao mangá original. No entanto, o público em geral deve se decepcionar com interpretações rasas, uma história sem muito afinco e um ritmo burocrático. Quem sabe, na próxima, a Netflix crie um grande live action. Por enquanto, nada digno de nota.