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  • Matheus Mans

Crítica: Cansativo, ‘Silêncio de Rádio’ tenta falar sobre falta de liberdade no México


Já fazem alguns anos que a América Latina está enfrentando uma onda fascista, consolidada com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro no Brasil. No México não é diferente. Por conta da presença infiltrada de cartéis de drogas no governo, presidentes acabam trabalham em prol desses criminosos e falhando em manter a democracia.


É o caso de Enrique Peña Neto, presidente do país entre 2012 até 2018. Com um histórico repleto de acusações de corrupção, acabou atacando a liberdade de imprensa. E uma das principais afetadas foi Carmen Aristegui, âncora de rádio que descobriu um esquema de corrupção escabroso. Peña Neto ganhou uma mansão em troca de uma obra no seu país.


No entanto, o que era para ser a derrocada do político se tornou a derrocada da jornalista. Em conluio com meios de comunicação, Peña Neto armou a demissão de Aristegui da rádio em que trabalhava. E, apesar de ser uma das maiores audiências do país, acabou ficando desempregada. Por pressão do presidente, nenhuma outra mídia quis contratá-la.

E é sobre essa história, cada vez mais parecida com o que vivemos no Brasil, que se debruça o documentário Silêncio de Rádio. Dirigido por Juliana Fanjul, o longa-metragem do É Tudo Verdade 2020 acompanha a jornada dessa jornalista e, principalmente, busca compreender o que aconteceu no México nos últimos anos, nessa derrocada democrática.


É um filme político, em que Fanjul não tarda em levantar suas justas bandeiras e mostrar os problemas no coração do México. Nesse ponto, sem dúvidas, é um filme muito competente.


Mas, rapidamente, Silêncio de Rádio perde sua vitalidade. Se torna cansativo. Se valendo de uma narração interminável e sussurrante, ao estilo Petra Costa, o espectador é confrontado com um ritmo letárgico e complicado de acompanhar. Ainda que a história seja interessante, o tratamento dado à produção acaba derrubando por completo o interesse.


Dessa forma, este documentário é daqueles que se arrastam, se prolongam demais, se tornam vítimas de suas próprias ambições. Obviamente, a história continua potente. Forte. Interessante e necessária. Mas o meio e a forma que é contada, fora o pouco envolvimento emocional com a jornalista retratada, diminuem a experiência. Pena. Poderia ser melhor.

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