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  • Matheus Mans

Crítica: 'Close', da Netflix, é filme de ação sem energia


A adolescente Zoe (Sophie Nélisse) se vê milionária de uma hora pra outra. Afinal, seu pai morreu e as ações da empresa da família caem no colo da garota -- deixando a madrasta (Indira Varma) fora de si. Com todo esse dinheiro precisando ser administrado, a garota passa a contar com uma segurança mais alinhada com suas necessidades. É o momento em que a agente Sam (Noomi Rapace) entra em sua vida para protegê-la a qualquer custo no meio do Marrocos, a sede da companhia. Esta é a premissa central do longa-metragem Close, novo filme original do streaming Netflix.

A trama começa bem e parece ser promissora. Rapace, como já tinha mostrado em Conspiração Terrorista e Onde Está Segunda?, sabe segurar cenas de ação mais intensas e tem preparo físico. Além disso, parece que a personagem de Nélisse (a protagonista de A Menina que Roubava Livros) vai ser explorada com certo mistério dentro da trama, deixando de ser apenas a garota herdeira que não gosta do dinheiro que tem e tenta ser livro. Só que tudo isso fica apenas nas intenções. A diretora Vicky Jewson (Born of War) rapidamente transforma esse bom início em algo convencional.

Primeiro ponto: a trama, que parece vir a cavalgadas no início, desacelera e perde toda a emoção. A primeira cena de ação envolvendo Rapace e Nélisse acontece só com meia hora de filme. Antes disso, só um blá-blá-blá sem muita função dentro da narrativa escrita por Rupert Whitaker (Born of War) e pela própria Jewson, fazendo com que tudo ali se torne chato. A expectativa com a ação vai crescendo cada vez mais. E aí vem o segundo problema de Close: as cenas de luta e de fuga, ao contrário do esperado, são mal dirigidas com excesso de câmera tremida. Fica difícil acompanhar tudo ali na tela.

As reviravoltas inseridas também são óbvias -- há uma primeira que a própria sinopse revele, mas que Jewson insere na história com pompa de algo surpreendente; e uma segunda que qualquer um conseguiria adivinhar. Não há nenhum elemento que resgate o espectador de um mar de clichês e falta de energia. Nem fotografia, nem design de produção, nem atuações. Afinal, Rapace parece estar no automático, apesar de umas duas cenas emocionantes. É uma grande atriz numa péssima produção. E Nélisse até que corresponde ao exigido, mas falta ali. É uma personagem muito artificial e sem vida.

Close, assim, deve agradar um público extremamente específico, que busca ação sem exagero de cenas de tiro, gritos e correria, mas que também não espera uma boa história. Outros públicos vão apenas ter duas reações: ficar impassível, vendo um tipo de entretenimento vazio, ou se irritar com essa produção mequetrefe. Uma pena que a Netflix continue investindo seu dinheiro em produções tão fracas e sem vida, enquanto poderia estar fazendo coisas realmente boas. Pena, também, que Noomi Rapace ainda não tenha se encontrado nos últimos anos. Uma grande atriz que precisa de seu lugar.