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  • Matheus Mans

Crítica: ‘Colectiv’ é filme triste e ousado, mas que peca em ritmo lento

Atualizado: Out 5


Romênia, boate Colectiv. Centenas de jovens estão amontoados em um mesmo local, dançando, bebendo, se divertindo. De repente, porém, um incêndio toma rapidamente a boate. Os jovens tentam correr, mas não conseguem. Entram em desespero, se amontoam. E, como resultado, algumas dezenas morrem. Outra dezena fica internada no hospital.

A história desse desastre está registrada no documentário Colectiv, seleção oficial do festival É Tudo Verdade. O longa-metragem romeno, dirigido e roteirizado por Alexander Nanau, é um soco no estômago. Daqueles que te deixam mal, pra baixo, o resto do dia. Afinal, o cineasta não poupa o público de cenas tristes e desesperadoras da tragédia.

Além disso, como complemento à história, Nanau faz um trabalho investigativo potente ao mostrar como, mais do que o fogo, a corrupção e o descaso do poder público acabou sendo responsável também por matar uma grande quantidade de pessoas. É, assim, um documento histórico, mas também um filme-protesto que mostra os bastidores da tragédia.


Pena, porém, que Nanau se perca totalmente no ritmo e na condução da história. Seu filme, ainda que nunca perca o caráter melancólico e o aprofundamento investigativo, acaba tendo o ritmo prejudicado por uma sucessão de histórias, relatos e observações que se misturam, se atropelam e se acotovelam tentando chamar a atenção do espectador. Fica chato.


Assim, no final das contas, Colectiv está mais para um excelente trabalho de jornalismo e investigação sobre o caso romeno do que um bom filme. Há um prejuízo grande em termos de qualidade fílmica para deixar a trama aprofundada do jeito que o cineasta queria. Alguns vão gostar. Outros, se entediar. Mas o importante é que há conteúdo e boa denúncia.

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