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  • Bárbara Zago e Matheus Mans

'Como se tornar um conquistador' faz humor sem sensibilidade


Para aqueles assistiram Uma Família de Dois, filme estrelado por Omar Sy em julho deste ano, pode perceber uma semelhança com o filme Como se Tornar um Conquistador. O longa conta a história do mulherengo Máximo (Eugenio Derbez), abandonado pela esposa e que passa a viver com a sua irmã (Salma Hayek) e o seu filho (Raphael Alejandro). Ainda que pareça uma comédia que explica a importância da família,Como se Tornar um Conquistador falha - e muito - ao tentar reproduzir esta ideia.

A primeira cena do longa consiste em Máximo e sua irmã quando crianças falando o que querem ser quando crescer. Ela responde que deseja ser arquiteta, para construir uma casa para eles. Já o garoto responde que quer ser rico, sem ter que trabalhar. Mostra uma mulher jovem, loira, com um homem milionário. O primeiro de muitos erros começa aí: não somente reproduz mensagem sexista, como também passa ideia de que casar com uma pessoa rica e se aproveitar do dinheiro é algo completamente aceitável.

Como é de se esperar, o protagonista se casa com uma mulher muito mais velha que ele, e rica, e passam 25 anos juntos.Após esse tempo, em que fica nítido que ele não trabalha e se aproveita do dinheiro de sua esposa, ela o larga para ficar com um rapaz mais jovem, interpretado por Michael Cera. Máximo, então, fica sem ter para onde ir e pede ajuda para sua irmã, com quem não convive desde pequeno.

A partir daí, o filme começa a se desenvolver a partir da relação do protagonista com seu sobrinho Hugo, ensinando-o a conquistar garotas da escola. A ideia é boa e até comove, exceto pelo fato de que Máximo só ajuda o menino para se aproximar de uma outra idosa ainda mais rica do que sua ex-mulher.

Ainda que relação deles pareça genuína, a motivação do protagonista leva tudo por água abaixo. O que era pra ser comédia familiar faz com que o espectador ria, de fato, apenas duas ou três vezes em todos os seus 115 minutos. Todo restante do humor é forçado e previsível. Quando ao aspecto familiar, além de apresentar piadas maliciosas, a história passa uma ideia errada para o público.

Quando o filme chega à cena final, o espectador ainda possui ponta de esperança, acreditando que ocorrerá uma reviravolta, como se Máximo se tornasse uma pessoa menos superficial, após tudo que passou. E isso de fato acontece, só que de maneira falha: Sara, sua irmã, finalmente consegue o que sonhou com a ajuda de Máximo. O problema? Isso só acontece pois o protagonista fica com outra mulher velha e milionária. Ainda que pareça um final emocionante, passa a mensagem que todo o trabalho duro de Sara não a levaria a lugar nenhum, afinal, ela só de fato conseguiu porque seu irmão se casou com uma mulher velha e com muito dinheiro.

Com isso, o espectador sai do filme com um sabor amargo da boca, que nem ao menos lembro o trabalho passado de Eugenio Derbez, o delicado Não Aceitamos Devoluções. E ainda lembra muito menos Uma Família de Dois, no qual Derbez é, surpreendentemente, o roteirista. Com este filme, parece que o astro esgotou seu estoque de sensibilidade em outros produções e, para Como se Tornar um Conquistador, deixou apenas as piadas de mau gosto.