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  • Bárbara Zago e Matheus Mans

'Como se tornar um conquistador' faz humor sem sensibilidade

Atualizado: Jan 12


Para aqueles assistiram Uma Família de Dois, filme estrelado por Omar Sy em julho deste ano, pode perceber uma semelhança com o filme Como se Tornar um Conquistador. O longa conta a história do mulherengo Máximo (Eugenio Derbez), abandonado pela esposa e que passa a viver com a sua irmã (Salma Hayek) e o seu filho (Raphael Alejandro). Ainda que pareça uma comédia que explica a importância da família,Como se Tornar um Conquistador falha - e muito - ao tentar reproduzir esta ideia.

A primeira cena do longa consiste em Máximo e sua irmã quando crianças falando o que querem ser quando crescer. Ela responde que deseja ser arquiteta, para construir uma casa para eles. Já o garoto responde que quer ser rico, sem ter que trabalhar. Mostra uma mulher jovem, loira, com um homem milionário. O primeiro de muitos erros começa aí: não somente reproduz mensagem sexista, como também passa ideia de que casar com uma pessoa rica e se aproveitar do dinheiro é algo completamente aceitável.

Como é de se esperar, o protagonista se casa com uma mulher muito mais velha que ele, e rica, e passam 25 anos juntos.Após esse tempo, em que fica nítido que ele não trabalha e se aproveita do dinheiro de sua esposa, ela o larga para ficar com um rapaz mais jovem, interpretado por Michael Cera. Máximo, então, fica sem ter para onde ir e pede ajuda para sua irmã, com quem não convive desde pequeno.

A partir daí, o filme começa a se desenvolver a partir da relação do protagonista com seu sobrinho Hugo, ensinando-o a conquistar garotas da escola. A ideia é boa e até comove, exceto pelo fato de que Máximo só ajuda o menino para se aproximar de uma outra idosa ainda mais rica do que sua ex-mulher.

Ainda que relação deles pareça genuína, a motivação do protagonista leva tudo por água abaixo. O que era pra ser comédia familiar faz com que o espectador ria, de fato, apenas duas ou três vezes em todos os seus 115 minutos. Todo restante do humor é forçado e previsível. Quando ao aspecto familiar, além de apresentar piadas maliciosas, a história passa uma ideia errada para o público.

Quando o filme chega à cena final, o espectador ainda possui ponta de esperança, acreditando que ocorrerá uma reviravolta, como se Máximo se tornasse uma pessoa menos superficial, após tudo que passou. E isso de fato acontece, só que de maneira falha: Sara, sua irmã, finalmente consegue o que sonhou com a ajuda de Máximo. O problema? Isso só acontece pois o protagonista fica com outra mulher velha e milionária. Ainda que pareça um final emocionante, passa a mensagem que todo o trabalho duro de Sara não a levaria a lugar nenhum, afinal, ela só de fato conseguiu porque seu irmão se casou com uma mulher velha e com muito dinheiro.

Com isso, o espectador sai do filme com um sabor amargo da boca, que nem ao menos lembro o trabalho passado de Eugenio Derbez, o delicado Não Aceitamos Devoluções. E ainda lembra muito menos Uma Família de Dois, no qual Derbez é, surpreendentemente, o roteirista. Com este filme, parece que o astro esgotou seu estoque de sensibilidade em outros produções e, para Como se Tornar um Conquistador, deixou apenas as piadas de mau gosto.

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