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  • Matheus Mans

Crítica: 'Crimes de Família' é bom drama familiar argentino da Netflix


Sempre que chega um filme policial ou investigativo na Netflix, fico com os dois pés atrás. Afinal, a plataforma de streaming é conhecida por não acertar a mão nesse tipo de história -- vide os recentes No Limite da Traição e Encontro Fatal. No entanto, que boa surpresa acabou sendo esse drama criminal argentino Crimes de Família, uma das estreias do streaming desta quinta, 20.


Dirigido por Sebastián Schindel (de O Filho Protegido e O Patrão: Radiografia de um Crime), o longa-metragem conta a história de dois crimes acontecendo, na narrativa, lado a lado. Em um momento, o filho de um rico casal que é acusado de estuprar e agredir a ex-esposa, mãe de seu filho. Do outro lado, a empregada desse mesmo casal que é presa e enfrenta um julgamento.


Deixando que as informações surjam a partir do desenvolvimento da história, sem apressar revelações ou tratá-las como grandes revelações, Crimes de Família é um típico drama familiar das classes altas da América Latina. Despejando sempre a culpa na mulher, o longa exibe a hipocrisia que surge nas salas das coberturas e dos grandes apartamentos dessas pessoas.

É, basicamente, uma forma do cineasta Sebastián Schindel indicar como essas famílias ricas estão sempre se protegendo, enquanto não ligam para abusos e absurdos que acontecem entre os mais pobres -- ainda que esse mais pobres estejam ali perto, na cozinha de casa. Ainda que lhe falte delicadeza, o diretor consegue mostrar essa situação, expondo-a aos poucos.


Ainda que não haja nenhum suspense, ao contrário do que indica a sinopse e até mesmo o material de divulgação, Crimes de Família te deixa preso na narrativa e no desenvolvimento.


E aí você se pergunta: oras, então temos um filme policial perfeito na Netflix? Nada disso. O grande ponto fraco da produção está no final, na forma que amarra essas duas histórias desenvolvidas em paralelo -- da empregada e do filho mimado. Tentando trazer uma certa redenção na história, o diretor acaba trazendo aspectos positivos que não existem ali.


A redenção, usada a partir de um acontecimento grave e perpetuado pela própria personagem redimida, acaba se tornando uma explicação, um "mas" dentro de tudo que foi contado. Será que isso é o bastante? Será que as atitudes que essa personagem tomou a fazem uma paladina da justiça? Faltou, assim, cutucar mais o assunto, com mais coragem e muito, muito mais ousadia.


Do jeito que ficou, a narrativa apenas acaba se tornando desconcertante, estranha. Queria ter visto um final com mais garra e que mostra mais a podridão dessa sociedade em que vivemos.

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