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  • Matheus Mans

Crítica: 'Curupira: O Demônio da Floresta' é constrangedor de tão ruim


O Brasil precisa, urgentemente, consagrar seu folclore. Colocar as histórias no cinema, na literatura, na televisão — e deixar um pouco da cultura europeia e americana, com seus vampiros e afins, de lado. No entanto, isso deve ser feito com respeito, com cuidado, com atenção. O folclore não é um apanhado de histórias de monstros. É cultura, tradição, origem.


O que Curupira: O Demônio da Floresta faz, assim, é um desserviço, um desrespeito. Dirigido por Erlanes Duarte, de Muleque Té Doido! O Filme, o longa-metragem já erra na ideia, na concepção. Ele coloca o Curupira morando em uma ilha isolada e que decide se vingar de um grupo de jovens que jogam algumas garrafas na praia e ficam brincando de jogar uma tartaruga no ar.


Óbvio que isso é errado — ninguém gosta de ver qualquer animal sofrer e, tampouco, jogar lixo por aí. Mas, cá entre nós, o Brasil tem mais problemas ambientais do que um grupo de jovens imbecis numa ilha deserta. E, pior ainda, o que o Curupira faz em uma ilha? A lenda do folclore é originária, é indígena. Ele é um ser da floresta. Deve nos proteger, por exemplo, da devastação.

O que faria uma figura lendária como o Curupira, o defensor das florestas, matar jovens que brincaram com uma tartaruga enquanto o Brasil arde em chamas, com latifundiários e governo rindo da desgraça? Curupira: O Demônio da Floresta é um filme que não faz sentido no Brasil de hoje. Mas, infelizmente, essa é só a ponta do iceberg de um filme mergulhado em erros.


Afinal, depois dessa ideia seminal bizarra, há erros ainda piores. Curupira, essa entidade que DEFENDE o Brasil e nossas matas, é tratado como um demônio qualquer: é verde, mata quase que indiscriminadamente e não tem personalidade — para acentuar isso, Duarte ainda coloca uma trilha sonora de heavy metal. Terminamos o filme com medo do Curupira. Erro crasso.


Isso sem falar de problemas técnicos, com destaque para as atuações. Nada é natural, tudo parece saído diretamente de uma sala de ensaios. Enfim: ao final, sentimos apenas falta de respeito, desgosto, tristeza. É um filme que colonializa o Curupira, inserindo ícones estéticos norte-americanos e, até mesmo, colocando um viés cristão em uma entidade originária.


Logo abaixo aqui, é possível ver a nota um. É zero mesmo. A explicação? Não temos uma arte para uma nota tão baixo. E, sinceramente, Curupira: O Demônio da Floresta nem vale o esforço.


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