Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: Divertido e estiloso, 'Aves de Rapina' é entretenimento certeiro


Confesso que o começo de Aves de Rapina é desanimador. Com uma narração interminável da Arlequina (Margot Robbie), o filme pega na mão do espectador e o conduz na trama da protagonista que, após término com o Coringa, está desiludida e quer afogar as mágoas. Sem planejar muito, porém, acaba caindo na mira do criminoso Máscara Negra (Ewan McGregor).


A partir disso, o caminho de Arlequina, Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) e Renee Montoya (Rosie Perez) se cruza. Nisso, a coisa já virou um nó: o roteiro de Christina Hodson (Bumblebee) se embaralha nas histórias que quer contar e a edição de Jay Cassidy (Trapaça) e Evan Schiff (John Wick 3) acaba entrando na bagunça narrativa.


A sensação, no final do primeiro ato, é que Aves de Rapina vai repetir o caos de Liga da Justiça e Batman vs Superman: roteiro estranho, clichês, momentos bizarros e personagens fracos.


No entanto, aos poucos, a diretora Cathy Yan, que veio do cinema independente com Dead Pigs, vai colocando as coisas nos eixos, como mágica. Primeiramente, a trajetória da Arlequina vai se tornando mais palpável, mais próxima do público -- ainda que Robbie, vez ou outra, exagere demais no tom. E, em seguida, Yan vai dando um tom de equipe empolgante e divertido.


Por mais que a Caçadora, Canário Negro e Montoya nunca tenham sido apresentadas no universo cinematográfico da DC, elas possuem química. Mary Elizabeth Winstead (Rua Cloverfield 10) carrega um ar misterioso saboroso; Jurnee Smollett-Bell (O Grande Debate) está apaixonante; e Rosie Perez (Homens Brancos Não Sabem Enterrar) poderia estar melhor.

Vale ressaltar a ótima participação de McGregor como Máscara Negra. Por mais estereotipado que seja, seu personagem é interessante e, de certa forma, o estereótipo ajuda na narrativa.


Afinal, mais do que ser um bom filme de heróis, Aves de Rapina merece atenção por ser o primeiro a bancar uma equipe totalmente feminina -- o que, no universo machista e tóxico dos fãs de HQs, é uma boa estreia. Isso, por si só, já coloca o longa alguns passos à frente. Com os atributos positivos, como a boa química da equipe, Aves de Rapina decola de uma vez só.


Interessante notar, também, que o longa possui uma personalidade forte -- algo ausente nos filmes anteriores da DC. Yan coloca violência exagerada, com sangue respingando na tela. Num primeiro momento, isso causa estranhamento. Mas, depois, vai fazendo sentido dentro do universo underground proposto. Tem estilo, é um filme colorido, e com uma marca própria.


No final, é difícil não sentir vontade de ver mais, saber mais, ir mais afundo. As personagens da Caçadora e da Canário Negro dão aquele gosto de "quero mais" e o filme, finalmente, mostra que a DC pode encontrar o rumo de suas produções. Não é perfeito, claro. Mas a sensação de bom entretenimento, aliado com um exemplo do que dá pra fazer na DC, aumenta os ânimos.


E aquele começo amargo, com direção atrapalhada, edição inexistente e um roteiro bizarro, fica apenas numa vaga lembrança. A diversão, cores e as boas personagens, no fim, se sobressaem.

#Crítica #Cinema #Ação #Heróis #Filme