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  • Matheus Mans

Crítica: 'Dois + Dois' é comédia que não consegue nem ao menos fazer rir


Remake da comédia argentina 2 mais 2, o filme nacional Dois + Dois chega aos cinemas nesta quinta-feira, 12, com um problema que sepulta toda e qualquer produção de comédia: simplesmente não é engraçada. Nada. O longa-metragem, dirigido por Marcelo Saback (que estreia na direção após roteiros de Divã e outros), se perde em uma montanha de clichês.


A começar pela história datada, talvez por ser uma adaptação direta dessa produção argentina de 2012: um casal (Carol Castro e Marcelo Serrado) está numa fase monótona do casamento, após 16 anos de união e uma filha. As coisas mudam quando entram na mira de um casal de amigos (Marcelo Laham e Roberta Rodrigues), que propõe uma troca de casais entre eles.


A partir daí, o longa-metragem toma o rumo mais óbvio e banal possível sobre a temática -- que, mais recentemente, ganhou um tratamento interessante em There is No I In Threesome, do HBO Max. Fala sobre a dificuldade de aceitar essas mudanças, sobre as fases do casamento e, principalmente, como estabelecer os limites em uma relação como essa, de trocas intensas

Não há profundidade alguma nesse debate que Saback traz no filme, também assinando o roteiro. Falta atualidade, modernidade, pungência. A história argentina, do filme de 2012, muda só em relação ao cenário -- deixa de ser o país dos hermanos para ser no Brasil. Quase não há atualizações sociais. A sensação que fica, então, é que Dois + Dois é um filme perdido no tempo.


O elenco até se esforça, mas não adianta. Carol Castro desaparece com uma tonelada de chavões sobre sua personagem, principalmente com uma conclusão de sua personagem que beira o ridículo -- e que falamos mais a seguir. Serrado é o mais solto e divertido, mas novamente não adianta. Marcelo Laham e Roberta Rodrigues ficam sem espaço no filme.


O pior é essa tentativa de reviravolta, lá pro final, envolvendo Castro. É algo tão óbvio, batido e preguiçoso que mata qualquer chance do filme se tornar minimamente engraçado em sua conclusão. Faltou para Saback encontrar a modernidade necessária para o tratamento dessa história, que ganhou mais camadas ao longo dos anos e transformações sociais importantes.


Quem sabe, se lançado em 2012 junto com a versão argentina, Dois + Dois fosse mais divertido, original, inventivo. Mas, vamos combinar: lançar em 2021 uma história de nove anos atrás que envolve aspectos profundos de relacionamento e sociedade, sem as mudanças necessárias para atualizar essa trama, é um grande tiro no pé. Ousadia aqui, sem dúvidas, cairia muito bem.


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