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  • João Pedro Yazaki

Crítica: 'Dois' é filme qualquer coisa da Netflix que se leva a sério até demais

Atualizado: 11 de jan.


Dentre as produções exageradamente pretensiosas da Netflix, Dois com certeza é uma delas. Nesta história vemos dois desconhecidos, um homem e uma mulher, que acordam nus em um quarto com seus abdomens costurados um ao outro. Sem poderem se desprender, eles precisam arrumar uma forma de escapar daquele lugar misterioso enquanto tentam descobrir quem fez isso com eles e por quê.


Dirigido por Mar Targarona e Mike Hostench, o filme catalão estreou nesta sexta-feira, dia 10 de dezembro, no catálogo brasileiro do serviço de streaming. Com apenas 1 hora e 10 minutos de duração, o enredo nos mostra duas pessoas que precisam conhecer o passado de cada um para solucionar esse grande mistério. Afinal, porque alguém costuraria dois seres humanos? Qual é a relação entre os personagens para que eles estivessem numa situação como essa?


Sendo assim, em um filme como esse, dois fatores são fundamentais para funcionar: a dinâmica entre os personagens e o roteiro. O primeiro é uma das poucas coisas que se salvam por aqui. Ao longo da história, vamos conhecendo quem são os protagonistas e os motivos pelos quais eles chegaram nessa situação. Não que a gente se importe com eles, longe disso. Porém, pelo menos possuem algum desenvolvimento que nos faça querer assistir até o fim.


Contudo, logo nos minutos iniciais é possível perceber o quanto a história reforça estereótipos problemáticos do papel do homem e da mulher. De um lado, existe o homem forte, racional, agressivo e que tem a solução para tudo. Do outro, a mulher irracional, burra e medrosa. Por mais que a relação funcione, essa caracterização batida deixa a produção mais defeituosa do que já é.


Com isso, vamos ao segundo fator. Óbvio e repetitivo, o roteiro não sustenta nada do que a narrativa propõe. Da maneira mais conveniente possível, os personagens vomitam informação quando a história precisa andar. Impressionante como tudo se resolve num passe de mágica. Ou o personagem retém algo para si e só fala quando quer ou o conhecimento surge do além. Simplesmente não há lógica.


Por mais que a premissa seja interessante, com muito espaço para criatividade, não há nada de inventivo. Assim como o roteiro, a direção carece de qualidade em todos os aspectos. Quer sempre elevar o nível da produção para parecer algo completamente fora da caixa, porém, na verdade, é apenas mais um filme pretensioso que não fica em pé sozinho. Ao contrário do que se propõe, não há um desafio ou algo que nos faça sentir impactados pelo o que estamos assistindo.


Sendo assim, Dois é mais um filme que se leva muito a sério, mas o roteiro fraco faz com que nada funcione direito. Existem cenas, inclusive, que são engraçadas sem querer. Por exemplo, quando ocorre a evidente reviravolta final, parece muito mais cômico do que chocante. E além disso, não existe carisma, tampouco uma atmosfera de suspense envolvente. Como não é longo, pode valer a pena assistir em um final de semana, mas não espere um filmaço.

 

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