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  • Matheus Mans

Crítica: 'Em Guerra com o Vovô' é filme que belisca o "besteirol familiar"


Tem um subgênero muito peculiar nos cinemas, que está um pouco sumido das telonas, que é o "besteirol familiar". Chamo assim pois são as produções sem qualquer preocupação com a qualidade do que está sendo produzido na tela, mas que ainda assim não apela para absurdos. São comédias comedidas, dentro de seus limites, mas que possuem um humor à beira do tosco.


É o caso de A Casa Caiu, Operação Babá, O Fada do Dente e, agora, Em Guerra com o Vovô. Dirigido por Tim Hill, responsável por pérolas como Alvin e os Esquilos e Garfield 2, o longa-metragem conta a história de Ed (Robert de Niro) que, depois da morte da esposa, vai morar na casa da filha (Uma Thurman). Como solução, ocupa o quarto do neto Peter (Oakes Fegley).


No entanto, o menino não aceita tão facilmente essa dureza de ir morar no sótão enquanto o avô vai morar no antigo quarto do rapaz. É aí que começa a tal guerra do título, na qual avô e neto pregam peças uns nos outros para ver quem fica, enfim, com o quarto. A premissa é bonitinha e simpática, típica dos filmes da Sessão da Tarde, sem muitas pretensões ou grandes narrativas.

No entanto, assim como já vimos em Alvin e os Esquilos, por exemplo, falta um pouco de tato para Tim Hill na condução de comédias -- apesar dele ser um dos principais nomes na roteirização da série animada do Bob Esponja. Muitas piadas perdem o ponto de virada, quando o público está preparando o riso, e acaba descambando para esse besteirol exagerado que citei.


Por exemplo: tem uma cena em que De Niro (O Irlandês, Touro Indomável, Taxi Driver) está com um amigo (Christopher Walken, de O Franco Atirador) e outros conhecidos numa guerra de queimada contra o neto. Oras, poderia facilmente ser uma cena bonitinha, simpática e que terminamos com um leve sorriso no rosto. Mas Hill, como sempre, aposta no exagero, no além.


Nem mesmo esse elenco com três prêmios do Oscar nas costas (dois do De Niro e um do Walken) ajuda a elevar a qualidade da produção. O astro de Taxi Driver não está tão solto, leve e divertido quanto em A Família, Um Senhor Estagiário ou até Tirando o Atraso. Claramente está ali pra pagar contas. Nem Walken, o mais solto, lembra sua irreverência de Hairspray.


É um filme de potencial irreverente, que pode agradar aqueles que buscam apenas algo para assistir com os filhos numa tarde qualquer -- tenho certeza que as cenas de De Niro perdendo as calças vai agradar a criançada. Mas, infelizmente, passa longe das comédias familiares dos anos 1980 e 1990, como Uma Babá Quase Perfeita, Doze é Demais e afins. Uma pena.

#Crítica #Cinema #Filme #Comédia

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