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  • Matheus Mans

Crítica: 'Emergência', do Amazon Prime Video, surpreende e choca


Assim como o inesperado Profile, pode-se dizer que Emergência, filme do Amazon Prime Video, é um dos mais surpreendentes de 2022. Dirigido por Carey Williams (R#J) e roteirizado por K.D. Dávila (da série Salvation), o longa-metragem conta a história de dois amigos (RJ Cyler e Donald Elise Watkins) que, na noite que aproveitariam festas, encontram uma garota desacordada.


Branca, loira, menor de idade. São vários os complicadores que fazem com que Sean e Kunkle, assim como o colega Carlos (Sebastian Chacon), se preocupem com o próprio futuro. Afinal, se chamarem a polícia e uma ambulância, será que vão acreditar que eles não têm nada a ver com a situação da garota? O racismo, mesmo que silencioso, age no comportamento dos dois.


Logo no início, Williams adota um tom de comédia universitária para contar essa história, como se fosse um Fora de Série, Vizinhos, American Pie e afins. Essa é, assim, a maior sacada da produção: com símbolos e clichês do gênero, o espectador logo imagina toda uma história cheia de confusões, absurdos, bebedeiras e afins. Quando Williams pega isso e coloca sob o prisma racial da coisa, há uma mudança drástica de tom e o choque, assim, fica ainda mais evidente.

Falando em troca de prismas e gênero, é louvável a capacidade do cineasta e do roteiro de Dávila em transitar entre diferentes tons. O começo abre espaço para riso (a situação com a professora e a "n word" é estranhamente engraçada, assim como incômoda), mas logo vai ganhando novos contornos e aquele riso, estranho e desconfortável, ganha novos caminhos.


Há algumas derrapadas, é claro, como uma falta de rimo ali pela metade, na casa dos 40 ou 50 minutos. Falta vigor e o filme perde um tiquinho de interesse, fazendo com que crie um distanciamento entre aquele choque do primeiro desenrolar e o acompanhamento da história. É algo que acaba retomando só no final, quando o filme abraça o chocante e desesperador.


Enfim: Emergência é um filme surpreendente, principalmente por expandir o subgênero da comédia universitária e revertendo a noção de como esses personagens podem ser encarados de uma forma inusitada. É forte, é chocante, é inusitado. É, enfim, um filme que mostra como o cinema pode se comunicar através de clichês, revertendo ideias pré-concebidas. Vale a visita.

 

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