• Matheus Mans

Crítica: 'Emma.' é a melhor adaptação do romance de Jane Austen


O livro Emma, da mundialmente reconhecida escritora inglesa Jane Austen, já ganhou várias adaptações. A mais famosa, em 1996, colocou um clima despretensioso e contou com a insossa Gwyneth Paltrow como protagonista. Depois, ainda veio a versão de 1997, com Kate Beckinsale no papel principal, e ainda uma esquecível minissérie de 2009 que não fez o barulho desejado.


Agora, para retomar essa história com um ar moderninho, a conceituada fotógrafa Autumn de Wilde assume a direção de um filme pela primeira vez com Emma.. Bebendo da fonte de Maria Antonieta, filme de Sofia Coppola, a cineasta se vale de cores, texturas e cenários deslumbrantes -- que não lembram totalmente uma Inglaterra bucólica -- para se destacar.


Além disso, a fotografia se torna mais limpa e os figurinos são deslumbrantes, mas sem serem frondosos. Há um ar moderno aqui, sem deixar de lado todo tradicionalismo dessa história.


Afinal, não teria como: no centro das atenções está Emma (Anya Taylor-Joy), uma garota mimada que vive com o pai hipocondríaco (o excelente Bill Nighy). Ela acha que sabe tudo sobre relacionamentos, ainda que nunca tenha tido um amor verdadeiro. As coisas saem do controle, porém, quando ela dá sugestões erradas para a amiga (Mia Goth). É a deixa para o caos.


E essa mistura, no final das contas, funciona. Não que quem já viu os outros filmes ou leu ao romance vai encontrar aspectos realmente inovadores -- ainda que Wilde e a roteirista Eleanor Catton tenham mudado alguns pontos da trama. Ainda é a mesma Emma, ainda é a mesma ambientação que Austen criou já há algumas décadas. Mudas, apenas, a interpretação.


Taylor-Joy (Vidro) traz a Emma mais detestável das quatro adaptações citadas. Ela é pouco empática, fechada e se deixa levar pelas situações mais fúteis possíveis. No entanto, de alguma forma, acaba se revelando uma personagem fascinante. A graça do filme acaba ficando com Nighy (Questão de Tempo) e Goth (do novo Suspiria). Os dois divertem e ela, ainda, emociona.


No final das contas, é difícil não sentir uma leveza e soltar um sorriso com a história. Tudo bem: as mudanças estão mais na plasticidade do discurso e do ambiente do que na adaptação de fato. No entanto, é interessante mergulhar de novo nesse universo de Jane Austen, que parecia ter sido saturado. Mais adaptações assim, modernas e antenadas com o mundo, são bem-vindas.

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