• Matheus Mans

Crítica: 'Espírito Jovem' é clichê musical, mas com acertos


Violet (Elle Fanning) é uma adolescente tímida que vive no Reino Unido e que sonha com a vida como cantora. Depois de fazer algumas apresentações em bares, ela vê a grande oportunidade de sua vida chegar com a audição de um programa de TV para calouros, chamado "Espírito Jovem", que irá recrutar os melhores cantores e cantoras de todos os cantos da Inglaterra. Assim, junto com o empresário e professor Vlad (Zlatko Buric), ela irá sair da asa protetora e religiosa de sua mãe pra tentar chegar ao esperado estrelato.

Esta é a trama de Espírito Jovem, filme que chega ao Brasil nesta quinta-feira, 20, e marca estreia na direção do ator Max Minghella (do elenco de A Rede Social e Amaldiçoado). E, surpreendentemente, ele, que não é um ator de grande expressão, vai muito bem atrás das câmeras. O longa-metragem tem emoção, cores, modernidade, musicalidade. São sentimentos e sensações que vão sendo construídos ao longo da narrativa, que avança pela tela num crescendo. O final é espetacular.

Há problemas, sim. A primeira música cantada por Violet num show se transforma inadvertidamente num clipe, sem encaixar muito com o que está acontecendo de fato -- algo que lembra erros que os filmes Aladdin e Cidade dos Ossos cometeram, tentando emplacar sucessos musicais no meio da trama. É algo que já está claro que não funciona, mas algumas pessoas insistem em tentar. É melhor deixar a fluidez tomar conta e fazer com que as músicas marcantes cheguem naturalmente, como deve ser.

Além disso, a narrativa toda é calcada em clichês. Primeiro por conta dos personagens, que são fincados em estereótipos baratos -- é a mulher religiosa vinda do Leste Europeu; a menina com talento artístico, mas que é tímida e com poucos amigos; o homem que já fez sucesso e hoje vive afundado no álcool, que tenta se redimir ajudando um novo talento. Isso sem falar de algumas sequências já batidas, como a competição que é televisionada pra todo o elenco, que tenta criar vínculos de emoção com o público.

São recursos pobres e baratos de direção e roteiro, que são esperados num filme de estreia. O cineasta quer fazer muito, e aposta no clichê. Poucos e raros são os casos de diretores que seguem numa direção contrário -- recentemente, só Damien Chazelle.

Mas aos pontos positivos. Primeiro, o elenco. O croata Zlatko Buric (2012) rouba a cena durante todo o filme. Tem uma atuação poderosa, forte, quase anestésica. Difícil não comprar a essência de seu personagem, resolvida rapidamente no início com apenas um gesto e três falas. Bons personagens são assim. Por causa dele, Elle Fanning (Malévola) fica um pouco nas sombras, mas consegue despertar no final. É eletrizante e, sem dúvidas, a sequência de conclusão é a melhor atuação da carreira da jovem atriz.

As cores e as músicas ajudam a compôr o ambiente. Apesar de não ter um vilão bem definido (variando entre Rebecca Hall, a mãe e competidores concorrentes), o filme causa angústia pelo futuro da personagem. Há preocupação genuína com a competição.

Por fim, deve-se destacar novamente como Espírito Jovem consegue fazer um fechamento bom e que eleva a qualidade de todo o material. Ainda que o personagem de Buric seja finalizado de maneira fraca e previsível, todo o restante segue por um caminho positivo e que deve fazer com que o filme se torne um bom passaporte para que Minghella, se assim quiser, saia da frente das câmeras para trás delas em definitivo. Mais um ou dois filmes e o resultado final, sem dúvidas, pode ser quase impecável.

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