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  • Foto do escritorBárbara Zago

Crítica: 'Barbie' é um mundo rosa com muita história para contar


Barbie certamente é um dos filmes mais esperados de 2023. Parece que muitas coisas foram despertando a curiosidade do público antes mesmo do longa chegar aos cinemas. Os comentários começaram a partir da conta do Letterboxd de Margot Robbie, em que listava filmes como Show de Truman e Splash como influências para o papel. Depois, vazaram fotos de Ryan Gosling platinado, que deram o que falar. Além de, obviamente, um marketing gigantesco. Não me lembro de um filme recente com tanto orçamento para tal. Junte toda essa expectativa ao fato de a boneca ter sido uma referência de peso desde os anos 1960. Todos estavam loucos para ir ao cinema. E, também, para montar o look rosa.


Começamos Barbie na Barbielândia. Temos a casa da Barbie, a piscina, a praia, o carro, tudo que se possa imaginar. E toda a ambientação é incrível: Greta Gerwig não tentou transformar o mundo da Barbie em algo que parecesse real, mas sim como se estivéssemos brincando com todos os acessórios da boneca. A festa coreografada, com música original de Dua Lipa, é mágica. O problema é que você pode ver tudo isso no trailer -- e aí talvez more um dos maiores erros. Todos os trailers e teasers do filme são excelentes, mas entregam muito dele. Boas cenas e piadas acabam não sendo novidade e não tendo o impacto que mereciam.


"Graças à Barbie, todos os problemas do feminismo foram resolvidos", narra Helen Mirren. Até Barbie (Margot Robbie) ir para o mundo real. Ela é acompanhada por Ken (Ryan Gosling), que é exatamente o que se esperaria do boneco: superficial e meio patético. No mundo dela, ele só tem relevância quando ela permite. Já no mundo real, ou Los Angeles, Ken se sente poderoso e valorizado -- o que lhe dá segurança o suficiente para querer levar o patriarcado para Barbielândia. Ao mesmo tempo, Barbie sofre com olhares maliciosos nas ruas, além de ser rejeitada por meninas mais novas, que lhe criticam por ser um símbolo do corpo perfeito inalcançável.

Greta Gerwig trabalha bem o equilíbrio entre valorizar os figurinos e os personagens de Barbie, enquanto cutuca questões como machismo e objetificação feminina. Sem dúvida, a cena mais forte do filme é protagonizada por America Ferrera -- uma moça que recorre às Barbies da filha em um período difícil da vida. Sua personagem tem um discurso forte sobre como é difícil ser mulher dentro de uma sociedade misógina, em que esperam tudo e nada de você ao mesmo tempo.


Se Barbie se propusesse a focar somente na temática do feminismo e do patriarcado, seria um filme impecável. Porém, acaba se perdendo tentando trazer outros temas como a própria crise existencial da boneca e a irrelevância e o sofrimento de Ken. Ainda que a cena musical de Ryan Gosling seja ótima (afinal, é pouco provável sair do cinema triste após vê-lo cantando), toda a narrativa acaba se estendendo mais do que deveria.


Barbie é um filme que, separadamente, é incrível. O elenco, os cenários, a trama, a trilha sonora, as piadas. Mas, de alguma forma, quando colocado tudo junto -- somado com a necessidade de ser um filme para todos os públicos -- acaba se perdendo em muitas histórias. Ainda é fascinante, porém dá a sensação de estar muito empolgado para uma festa, escolher uma roupa, falar sobre isso a semana toda, para chegar lá e... ser só mais uma festa normal.

 

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