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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Brizola' é filme importante, mas que peca pelo exagero didático



Dentro da seleção do É Tudo Verdade 2024, minha ansiedade se dividia principalmente em dois filmes: Verissimo, que ainda não vi, e Brizola. Dois personagens da nossa história que são brilhantes, cada um à sua maneira, auxiliando no processo doloroso e ainda em curso para que o brasileiro se descubra. Uma pena, assim, que Brizola seja banal e didático em sua abordagem.


Dirigido por Marco Abujamra (de Todas as Melodias, sobre Luiz Melodia), o longa-metragem tem uma abordagem simples: contar a história de Leonel Brizola, um dos maiores políticos que este país já teve. Fala sobre o começo da vida do gaúcho, sua entrada na política e, principalmente, há uma busca em tentar compreender como ele se formou como esse político progressista.


É um começo óbvio, que parece estar apenas esquentando os motores. Mas não é bem isso: apesar da figura exuberante, complexa e essencial de Brizola, o filme segue o bê-à-bá simples.



Seguindo os passos de quase todas as outras cinebiografias já dirigidas por Abujamra, como Paulo Autran: O Senhor dos Palcos e o próprio Todas as Melodias, Brizola se contenta apenas com o básico: a mistura já cansada (e que ninguém mais aguenta) de imagens de arquivo com entrevistas banais. É algo que cansa justamente por ser o que todo mundo já conhece: a cada imagem em cena, sabemos mais ou menos como o filme vai seguir imageticamente.


E sendo Leonel Brizola uma figura tão diferente, importante e complexa, é difícil não sentir um banho de água fria conforme o filme avança. Obviamente, Brizola tem sua importância didática -- é, evidentemente, a porta de entrada de novas gerações à importância e história do gaúcho.


Mas a força de Brizola para por aí mesmo. Me lembrei bastante de Excelentíssimos, documentário sobre o impeachment de Dilma Rousseff que poderia ser potente, mas se contenta em ser material para sala de aula. Não há exatamente um demérito nisso (afinal, esses filmes precisam existir e ajudam a memória a se perpetuar), mas falta mais linguagem de cinema nessa equação. Mais planos, mais ideias, mais edição. O mesmo de sempre cansa.


Enfim: Brizola, até agora, é a primeira e única decepção mais acentuada do É Tudo Verdade 2024. Não é um filme exatamente ruim, mas limita demais a força de seu retrato ao se contentar com a velha costura de arquivo com entrevista quadrada -- aliás, vale ressaltar a importância do resgate de alguns arquivos, como o direito de resposta de Brizola na Globo. E fica por aí. Com toda sua importância e complexidade, Leonel merecia um filme à sua altura.


 

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