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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Garra de Ferro' traz Zac Efron irreconhecível em trama intensa



Garra de Ferro, filme que chega aos cinemas em 7 de março, tem sido chamado nos últimos meses como o “grande filme de Zac Efron”. Não é pra menos: o longa-metragem estava tentando uma vaguinha na corrida pelo Oscar, infelizmente frustrada, e queria chamar a atenção do público como o ponto de virada na carreira do astro de High School Musical. No entanto, o filme está longe de ser um “Oscar bait”: é cinema de verdade.


Dirigido por Sean Durkin (do belíssimo Martha Marcy May Marlene), o longa-metragem conta uma história que impressiona por ser, justamente, real: a família Von Erich, conhecida pela vida dedicada aos ringues de wrestling, vive uma maldição. Kevin (Efron) acredita que é coisa do sobrenome da mãe. O fato é que parece que tudo dá errado no seio da família Von Erich. Mortes se acumulam, acidentes fatais surgem a cada esquina. É o puro caos.


Parece até filme de terror. Maldição, afinal, é algo que estamos acostumados a ver naquelas películas com fantasmas, demônios e afins. Não em um drama familiar.


Garra de Ferro até pode ter sua dose de sobrenatural, mas é mais um exame detalhado das consequências do abuso, da alienação parental, da pressão exagerada. É um filme surpreendentemente maduro, que brinca com esse limite entre sina e duras vivências cotidianas para refletir sobre tudo aquilo que nós, meros mortais, colocamos na conta de seres superiores. A família Von Erich, infelizmente, é o melhor exemplo dessa situação.



Uma pena que Sean Durkin, por vezes, se revele mais como um cineasta com boas intenções do que um diretor realmente de mão cheia. Ele falha, em vários momentos, quando tenta colocar na tela aquela cena explosiva, aquele momento de redenção, aquela sequência que sabemos que vai fazer todo mundo se arrepiar. Parece que a emoção do filme, por mais que esteja ali, nunca seja realmente traduzida imageticamente na tela.


Com isso, é difícil não sentir a sensação de que é um filme que sofre com sua incompletude, com suas tentativas frustradas de causar o arrepio da emoção. No entanto, há um outro elemento que compensa essa fragilidade da direção: Zac Efron. O ator, que fez sucesso no começo de carreira como o Troy de High School Musical, mostra que deu a volta por cima e faz o personagem mais forte, verdadeiro e complexo de toda a sua carreira.


Kevin é o protagonista complicado, que precisa conter as emoções, mesmo que estejam ali, à flor da pele. Dá pra dizer que Efron foi injustiçado na corrida pelo Oscar – ele, junto com o esnobe absurdo em DiCaprio por Assassinos da Lua das Flores, deveria ter uma vaga entre os celebrados pela Academia, justamente pelos papéis mais complicados do ano.


Seria a redenção de um ator que já foi alvo de piadas por seus personagens rasos, sem ser aqueles dramas bobos em busca apenas de prêmios com atores que não são levados a sério, como Jennifer Aniston em Cake. Mais uma vez o Oscar, após a derrota de Stallone em 2016 pelo trabalho impressionante em Creed, nos tirando a sensação de volta por cima.


Mas tudo bem. Afinal, com Oscar ou sem, Garra de Ferro é a concretização de uma boa história sendo contada. Pode ter lá sua falta de um clímax que tanto promete, mas ainda é chocante, bem filmado, traz boas ideias e, acima de tudo, é um marco na carreira de Zac Efron, sem nunca apelar para o exagero. É um cinema sincero – algo que, em tempos de efeitos especiais exagerados e tramas rocambolescas, é um verdadeiro alívio.


 

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