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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'O Dublê' diverte, mas se perde em exageros



A série Duro na Queda é daqueles sucessos que, ainda que não falem tanto sobre a produção hoje em dia, construiu um imaginário bem particular na memória das pessoas -- é algo como as outras produções Magnum e A Super Máquina, do mesmo produtor. Para quem já assistiu à série, é curioso ver os caminhos que desaguaram em O Dublê, estreia desta quinta-feira, 2.


Dirigido por David Leitch, que já cometeu excessos em Trem-Bala, o novo longa conta a história de Colt (Ryan Gosling), um dublê que precisa reencontrar o ator que, no fim das contas, lhe dá emprego -- na estranha relação simbiótica de atores e dublês. Não só é o jeito dele reencontrar trabalho, mas é principalmente um jeito de salvar o filme da amada diretora Jody (Emily Blunt).


Poderia, de fato, ser um episódio de Duro na Queda -- a missão quase impossível, a vida de dublê e os romances alucinados. E são esses os elementos mais divertidos, principalmente na forma que o roteiro de Drew Pearce (Homem de Ferro 3) traz saborosas tiradas sobre bastidores do mundo do cinema. Há, pelo menos, duas piadas no começo que são boas demais.


Só que Leitch, que era dublê e foi considerado a nova esperança de Hollywood após John Wick e Atômica, mostra que não quer o básico bem feito, o arroz com feijão. O Dublê insiste em elevar tudo à máxima potência: são muitas cenas de ação, são muitas piadinhas, são muitas explosões, são muitas situações na vida de Colt que dão errado, causando riso e escapismos.



Isso funciona na primeira hora, quando ainda estamos entrando nesse mundo. A atuação descontraída de Ryan Gosling (Barbie) também ajuda nesse primeiro contato. Só que tudo que é exagerado não é bom: as tiradinhas, em excesso, se tornam pedantes, como se Leitch quisesse mostrar, o tempo todo, como seu filme é esperto, descolado -- já aviso, não é nada disso.


Além disso, as cenas de ação com excesso de efeitos especiais (e de mais sacadinhas!) vão te tirando do filme aos poucos. Primeiramente você acha divertido, depois começa a esfriar e, no final, mesmo com referências à Mad Max: Estrada da Fúria e cenas que poderiam ser espetaculares em outro contexto, se tornam derivadas, genéricas, sem qualquer vida.


O Dublê está longe de ser um filme desastroso. Pelo contrário: o momento em que Ryan Gosling chora ao som de Taylor Swift, por exemplo, rendeu risadas genuínas. Uma luta do astro contra uma espadachim também é divertida -- e Aaron Taylor-Johnson (Kraven) está surpreendentemente engraçado aqui, talvez no papel mais despojado de sua carreira. Mas é só.


Leitch perdeu a oportunidade de fazer um filme que tivesse não apenas bom visual, mas também uma história divertida. Ao explorar os extremos da ação e da comédia, ficou sem um momento de calmaria para o público mergulhar em sua trama. No final, sobre o vazio.

 

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