• Matheus Mans

Crítica: 'Fotografação' faz passeio didático pela fotografia brasileira


Conhece a história da fotografia brasileira? Quais são os principais nomes, influências? O que era retratado pelas lentes dos primeiros fotógrafos brasileiros? Quais desafios e quais ensinamentos essas fotos nos deixaram? São essas e outras questões que são respondidas em Fotografação, novo longa-metragem de Lauro Escorel, conceituado diretor de fotografia.


Estreia dos cinemas desta quinta-feira, 5, o documentário se propõe a ser um passeio didático sobre a história da foto. No entanto, não por meio de um roteiro óbvio. Afinal, no filme, o cineasta Lauro Escorel se coloca como personagem e, a partir de experiências próprias, fala sobre História, ideias, pensamentos, reflexões, grandes fotógrafos e, além disso, a fotografia de hoje.


Tudo de importante está ali, em entrevistas, narração e arquivo, mas disposto de um jeito criativo. É interessante notar o fluxo de pensamento de Escorel, assim como suas ideias.


Dessa maneira, quem não conhece a história da fotografia, vai ter um primeiro contato interessante. Quem já conhece, enquanto isso, até pode se entediar em alguns momentos mais óbvios e didáticos. Mas a poesia encontrada na palavra e no pensamento de Escorel, que soube misturar essa História com sua experiência na fotografia do cinema, ajuda a elevar o interesse.

No entanto, apesar da narrativa ganhar corpo com a presença de Lauro Escorel, não dá para não estranhar algumas inserções. O diretor, em certos momentos, parece que quer aparecer mais do que a história da fotografia em si. Escorel fica mais em evidência do que a foto, do que o acontecimento -- logo no começo do filme, por exemplo, se coloca num bate-papo, sem motivos.


Assim, apesar da presença narrativa de Escorel, funciona quando ele faz rápidas inserções ou usa filmes que fotografou como exemplo. Quando vai além disso, e o assunto abordado pelo diretor até se esgota, fica chato. Fica estranho. E fica autorreferencial demais. Quase como um autorretrato. Nesse ponto, Fotografação perde a mão e o sentido. É História ou diário pessoal?


Acredito que Escorel tinha boas intenções ao se colocar no filme -- e elas são atendidas até certo ponto, quando o filme ganha camadas com suas observações. Mas o excesso e o "não saber parar" acabam atrapalhando. Fotografação é importante, necessário, didático. Quanto mais pessoas conhecerem a história da fotografia brasileira, mais rica a nossa cultura.


Mas que Escorel poderia ter se tirado um pouco da narrativa, poderia. O filme seria mais rico.

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