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  • Matheus Mans

Crítica: ‘Fullmetal Alchemist’ é caricatura barata de filmes de fantasia


Antes de tudo, é bom deixar avisado: nunca tive qualquer contato com a história original de Fullmetal Alchemist, que teve origem numa série de mangás. Ou seja: fui assistir ao filme na Netflix, produzido pela Warner, sem qualquer ideia do que viria pela frente, sem saber o que a trama iria contar pra mim. Foi pura surpresa. Mas confesso que, apesar de estar animado no começo, o filme não agradou. Fullmetal Alchemist é caricatura barata de outros grandes filmes de fantasia.

A história, de maneira bem simplificada, acompanha a jornada de Edward e Alphonse Elric, que desejam restaurar os seus corpos após uma desastrosa tentativa de trazer a sua mãe falecida de volta à vida por meio da alquimia. Agora, eles precisarão encontrar uma pedra filosofal e contornar os seus erros do passado. No elenco principal, Ryosuke Yamada (Assassination Classroom), Dean Fujioka (Dance! Dance! Dance!) e Tsubasa Honda (Fashion Story: Model).

O primeiro grande erro é que, de início, tudo na tela parece genérico. O visual da produção, que em um figurino que passa vergonha para muito cosplay por aí, lembra qualquer outro filme de ação que passa na sessão da tarde -- logo no começo, quando o protagonista está correndo de um homem “armado” com a pedra filosofal, pensei que estava vendo uma nova versão de Volta ao Mundo em 80 Dias. E a trilha sonora parece uma variação de Piratas do Caribe.

Os efeitos especiais também não convencem. Parece que faltou orçamento e não puderam renderizar todos os elementos em cena. Há um exército de zumbis -- que ainda não entendi bem o motivo de estar ali -- que é deplorável de tão mal feito. Qualquer jogo de PlayStation 2 tem gráficos melhores do que foi apresentado em Fullmetal Alchemist. Faltou muito mais cuidado.

Mas o problema não está só na técnica. O roteiro é confuso. Muitas coisas são citadas ao longo da trama -- como uma tal de Guerra Civil de Ishval -- que ninguém explica nada mais a fundo ou explora no futuro. São pequenas pseudo subtramas que estão ali só para fazer fan service ou para atrapalhar. Além disso, alguns acontecimentos ficaram no limite entre o absurdamente importante e o completamente insignificante. É um erro imperdoável de um roteiro frágil.

Mas o grande problema do filme são os atores. Meu Deus, como eles são ruins! Não sei se os personagens são caricatos no mangá, mas a sensação de artificialidade no longa beira o insuportável. A personagem de Tsubasa Honda é uma das coisas mais chatas que vi nos cinemas nos últimos tempos. Nada nela funciona. Ryosuke Yamada está aceitável, mas por conta de um ou outro momento interessante. De profunda, afinal, sua interpretação não tem nada.

No final, Fullmetal Alchemist só acerta aqui e ali, em uma coisa ou outra -- como a ótima premissa, mérito do mangá; e algumas cenas de ação interessantes, mérito da tradição do cinema japonês nesse quesito. Fumihiko Sori (Appleseed), o diretor, não soube aproveitar nada de uma história que, aparentemente, tinha muito potencial -- afinal, se não tivesse, não teria tantos fãs. Não é tão ruim quanto Death Note, mas é quase. Quem sabe, algum dia, acertam na adaptação de um mangá.