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  • Giulia Costa

Crítica: 'Gelo em Chamas' enaltece ciência na era de terraplanistas


Documentário produzido e narrado por Leonardo DiCaprio, Gelo em Chamas estreou nesta segunda-feira, 22, na HBO e conta com a direção de Leila Conners, conhecida pelos filmes A Última Hora e We The People 2.0. O longa-metragem foi filmado em nove países diferentes e procura explicar as implicações do excesso de carbono na atmosfera e o que pode ser feito para converter esse cenário.

O filme é bastante didático e esclarece minuciosamente como a emissão de CO2 está relacionada ao aquecimento global, as consequências dessa situação e os projetos e recursos existentes que prometem reduzir seus impactos sobre o meio ambiente e a humanidade, diminuindo a emissão dessa substância e retirando o que já está presente na atmosfera. O longa fez um excelente trabalho ao mostrar o que está sendo feito e o que ainda é possível fazer para salvar o planeta, alertando quem o assiste sobre o perigo iminente.

Seu grande diferencial em relação a outros documentários sobre o tema são as soluções inovadoras e pouco conhecidas apresentadas pelos cientistas, que precisam ser mais exploradas por empresários e políticos. Está claro que a humanidade possui tecnologia, recursos e soluções suficientes para evitar o aquecimento global. Além disso, filme realiza denúncias sobre as verdadeiras circunstâncias que impedem que essas medidas sejam colocadas em prática dentro da escala necessária para evitar que o problema se agrave.

Gráficos, muitos dados e frases impactantes são alguns dos artifícios utilizados, além de exemplos visíveis e clássicos de que o aquecimento global já está gerando efeitos na biodiversidade da Terra, como derretimento das calotas polares, aumento dos níveis dos mares, animais buscando territórios mais frios, incêndios, extinção de espécies, entre outros.

A fotografia do filme também está incrível. Imagens impressionantes da fauna e da flora são mostradas ao longo do todo o documentário, celebrando a natureza, mas também permitindo que o espectador enxergue as consequências já existentes do aquecimento global com trechos que retratam desastres naturais e animais em condições críticas.

O filme faz um excelente trabalho ao mostrar as soluções criativas -- presentes até na própria natureza -- para diminuir a emissão de carbono e retirá-lo da atmosfera, além de mostrar como essas soluções também podem ser lucrativas e gerar mais empregos (argumentos que podem mudar a visão de empresários e pessoas que se recusam a acreditar no aquecimento global). No entanto, pouco se fala sobre o que a população pode fazer durante sua rotina para reduzir os impactos ambientais do carbono. O filme acaba sendo pouco inspirador para o público comum nesse aspecto e parece que a solução está apenas nas mãos de políticos e empresários.

O longa consegue transmitir sua mensagem de forma clara e sem sensacionalismo. Seu objetivo claramente é retratar os fatos e informar. Entretanto, o filme acaba se tornando monótono por apresentar um formato bem clássico e “quadrado” de documentário de temática científica. Também não é fácil se conectar com DiCaprio apesar da importância de seu apelo.

Gelo em Chamas é um documentário importante, especialmente em meio a uma era de “terraplanistas” em que até líderes mundiais estimulam teorias conspiratórias de que o aquecimento global é uma invenção da comunidade científica. DiCaprio mostra seu timing certeiro ao realizar esse filme, não apenas pela urgência da causa como também para combater o ceticismo em torno da ciência.