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  • Matheus Mans

Crítica: 'Godzilla vs. Kong' é filme todo errado, mas muito divertido


Desde que Godzilla renasceu nos cinemas sob a batuta da Warner Bros., são diversos os erros. Filmes exagerados, com foco demasiado em personagens humanos e outras bobagens estragaram um pouco o retorno do lagarto gigante. O mesmo aconteceu com King Kong, que voltou no mediano e estilizado Kong: A Ilha da Caveira. Por isso, que surpresa é Godzilla vs Kong.


Dirigido por Adam Wingard (V/H/S, O Hóspede), o longa-metragem se vale de uma trama sem pé, nem cabeça para juntar King Kong e Godzilla em um mesmo cenário. Na história, o monstro japonês renasce depois de sentir uma ameaça na sede da Apex. Assustados, cientistas nos Estados Unidos decidem tirar o King Kong de seu abrigo para enfrentar Godzilla em Hong Kong.


Como dito, a narrativa não faz sentido algum. A personagem de Rebecca Hall (Atração Perigosa) é ingênua demais, mesmo com a preocupação recorrente em proteger o gorila gigante. Alexander Skarsgård (Big Little Lies) é um manipulador sem propósito. Eiza González (Eu Me Importo) é uma vilã genérica. E Millie Bobby Brown (Stranger Things) está perdida na trama.

A narrativa de Bobby Brown, aliás, é o que mais estraga Godzilla vs. Kong. Não há sentido algum no que está sendo contado ali, na história de uma garota que tenta descobrir o que há por trás da Apex e outras coisas do tipo. Se cortássemos tudo o que é contado envolvendo ela e seus dois amigos, a trama continuaria a mesma. A única descoberta que fazem poderia vir de outro lugar.


O grande destaque, enfim, são as cenas de luta entre Godzilla e Kong. Difícil não se empolgar e não se divertir com os dois monstros se digladiando, ainda mais com um tempero a mais acrescido lá pelo final. Vários elementos novos, como um machado e um universo novo que é descoberto no meio da narrativa, ajudam a dar uma potência a mais nessa história divertida.


Além disso, ainda que Wingard se perca um pouco no protagonismo dividido entre Kong e Godzilla, há estilo no que é contado. As cores usadas nas brigas entre as duas criaturas, principalmente, mostram que houve um cuidado estético no que foi criado e desenvolvido. O diretor também brinca bastante com a câmera, em alguns passeios visuais bem interessantes.


Obviamente, Godzilla vs Kong não é perfeito, sendo cheio de erros técnicos e narrativos. Mas não dá pra negar que existe diversão aqui, ainda mais em um momento tão pesado de nossa realidade. Oras, o que é melhor para fugirmos do mundo lá fora do que uma briga homérica entre Godzilla e King Kong? É só se deixar levar, desligar um pouco a mente e se divertir.

#Crítica #Cinema #Filme #Ação

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