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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Guardiões da Galáxia Vol. 3' diverte e emociona em trama inchada


Foi há quase 10 anos, em 2014, que Guardiões da Galáxia chegou aos cinemas como o patinho feio da Marvel. Imprensa não botava fé no filme dirigido por James Gunn que, para muitos, soava como estranho e distante demais do que a Marvel Studios estava fazendo até então. Estavam errados: a franquia se tornou um dos grandes sucessos do estúdio e chega, agora, ao terceiro filme com Guardiões da Galáxia Vol. 3, longa-metragem que chega aos cinemas na quinta, 4.


Dirigido novamente por Gunn, que agora também acumula a função de diretor da DC nos cinemas, o filme é o encerramento — pelo menos na teoria — dos Guardiões nos cinemas. Curiosamente, porém, o foco não é Peter Quill, o líder do grupo vivido por Chris Pratt, mas Rocket, o guaxinim falante de Bradley Cooper. É ele que concentra toda a história ao seu redor quando o filme começa com Adam Warlock (Will Poulter), poderoso personagem da Marvel, que vai atrás do animal falante. Rocket é ferido e, então, o grupo precisará regressar às origens do guaxinim para salvá-lo – e, com isso, o público finalmente conhece a história de Rocket.


Partindo do princípio que é uma despedida, Guardiões da Galáxia Vol. 3 é bastante emocional. A partir dessa união de todos os personagens do grupo ao redor do personagem ferido, Gunn trabalha elementos do roteiro para falar sobre amizade, família e a importância de existir pessoas ao seu lado. Além de uma quantidade razoável de minutos do longa, com suas 2h30, que é dedicada a, basicamente, criar uma distopia sobre testes de animais em laboratórios. É o ciclo completo da visão de James Gunn para esses personagens. Início, meio e um fim.


O filme está longe de ser perfeito ou, sequer, o melhor desta trilogia – fica evidente como é um trabalho para cumprir tarefas para muitos dos envolvidos, principalmente Gunn, Bautista e Saldana, já cansados. Isso acaba refletindo na falta de coração em muitas decisões criativas, como as músicas da trilha sonora, com quase nenhuma de destaque, e até mesmo interações em cena, menos virtuosas e sem aquele frescor que vimos nas outras duas produções e em outros filmes da Marvel Studios. Até Chris Pratt, sempre empolgado, está mais apagado.

Também falta coragem. Oras, Gunn “matou” Groot logo no primeiro filme, enquanto Yonlu se foi no segundo. Aqui, há muito medo em acabar com ciclos de personagens. Talvez por conta de algo maior, com a Marvel Studios de olho em novas produções para o streaming? Talvez. Acredito que Gunn, neste momento, não teria paciência, nem vontade de bater o pé e exigir que algum personagem tivesse um destino diferente do que Kevin Feige, o chefão da Marvel, deseja. O cineasta agora já tem outras prioridades e a Marvel não é uma delas, obviamente


Outro ponto de atenção é que Guardiões da Galáxia Vol. 3 tenta resolver muitas coisas para fechar a saga: a “nova” Gamora, o passado do Rocket, dá algumas pistas da vida de Drax, insere Adam Warlock, traz o Alto Evolucionário como o grande vilão, explica o que aconteceu com o personagem de Sylvester Stallone após uma brevíssima aparição… Muita coisa para concluir.


Ainda assim, Guardiões da Galáxia Vol. 3 consegue criar conexão. Não só por ser um dos últimos resquícios dessa Marvel Studios que está acabando, ficando para trás, dando passagem para novos heróis, como também pela completa ausência de tentar fazer com que os heróis sejam mais do que são. Nada de multiverso, de coisas complicadas. São personagens à margem, como sempre foram, e que conquistam justamente por isso. São simples, estranhos e divertidos.


É, sem dúvidas, uma das melhores coisas que a Marvel fez desde que Vingadores: Ultimato chegou aos cinemas. Falta coragem, que não é uma marca da empresa, mas sobra uma trama com personagens queridos que desafiaram as piores previsões iniciais e fizeram sucesso. Fica a torcida para que, mesmo com um último filme com algumas passagens irregulares, a produção volte a inspirar a Marvel Studios a ir atrás de projetos mais ousados, que não navegam no mar da mesmice. As pessoas não estão cansadas dos heróis, mas da falta de criatividade.

 

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