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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Imaculada' acerta com terror que fala sobre religião e aborto


Imaculada chega aos cinemas com certa desconfiança. Afinal, a direção é de Michael Mohan, que já tinha uma parceria com sua protagonista, Sydney Sweeney, no fraquíssimo thriller erótico The Voyeurs. Mesma protagonista, mesmo diretor. Mesmo desastre? Nada disso: Imaculada é uma das surpresas do ano.


A história se concentra na chegada da irmã Cecília (Sydney Sweeney) em um convento isolado na Itália. Todo mundo lá é estranho, desde as outras irmãs até o padre, interpretado pelo espanhol Álvaro Morte, de La Casa de Papel. E as coisas ficam fora de órbita quando Cecília engravida. De alguém? Do padre? Não. Dizem ser do Espírito Santo.


É uma história que encontra ecos no recente A Primeira Profecia. Ambos falam de freiras engravidando, de conventos bizarros. A graça, porém, é observar como os dois filmes caminham de maneiras diferentes. O outro longa, que tem Sonia Braga no elenco, abraça a fantasia. Demônios surgem na tela – o medo está logo ali, no desconhecido e no sagrado.



Enquanto isso, Imaculada segue uma história parecida, mas o roteirista Andrew Lobel, ainda sem créditos no currículo, não quer saber de criaturas bíblicas ou mitológicas. O medo de Lobel mora nas pessoas e na imprevisibilidade das relações. O sagrado e o profano se misturam ali, nas diferentes facetas que uma mesma pessoa pode apresentar.


Mohan, por outro lado, segue a cartilha do nunsploitation – subgênero dos anos 1970 que colocava freiras em situações extremas – para trazer sangue e tripas em uma história que, assim como em The Voyeurs, se vale dos corpos dos personagens para causar o horror. O horror! Não nos assombramos com demônios, mas com o que pode ter dentro de nós.


E o final é de uma coragem ímpar. Em tempos que há medo de falar sobre aborto e temas mais sensíveis, Imaculada agarra a garganta do público. Repare: Mohan poderia ter terminado seu filme antes do final propriamente dito, quando Sweeney deixa o medo ficar cravado no olhar. Mas não. Ele continua filmando e mostra um caminho raro e tortuoso, que agrada e surpreende.


Exemplar raro de coragem no cinema de hoje em dia, que se curva cada vez mais às exigências puritanas de novas gerações com medo de cenas de sexo, de violência, de horror corporal. Imaculada joga todos esses medos no lixo e Mohan surpreende com um cineasta inesperadamente autoral. Até The Voyeurs subiu de tom por aqui. Ansioso por seu próximo filme.

 

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