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  • Matheus Mans

Crítica: 'Imperdoável', da Netflix, é bom filme com Sandra Bullock


Antes de tudo, confesso que esperava um tiquinho mais de Imperdoável. Afinal, os nomes por trás da produção são daqueles que nos chamam a atenção: a alemã Nora Fingscheidt, que ganhou espaço em Hollywood após o sucesso incontestável e merecido do filme System Crasher, assume a direção; enquanto Sandra Bullock entra no desafiador papel de protagonista.


Desafiador, sim, já que a estrela do cinema se despe de vaidades para contar a história de Ruth Slater, uma mulher que tem a chance de usufruir da liberdade provisória após ficar vinte anos na cadeia. O motivo? Ela foi acusada de matar um policial enquanto ele tentava tomar a casa da protagonista e de sua irmã. Agora, Ruth faz de tudo para restabelecer contato com a sua família.


Acima de tudo, Nora busca mostrar os efeitos do sistema carcerário na vida de uma pessoa. Ruth, afinal, já cumpriu sua pena. Os 20 anos enclausurada serviram, pelo menos na teoria, para que ela pudesse pagar pelo crime. Só que isso não acontece. Ela sai da cadeia sem horizontes, distante da irmã e, ainda, carregando a sina de ter cometido esse crime. Não há perdão.

Bullock, sem dúvida alguma, entrega uma das melhores atuações de sua carreira, quiçá a melhor. Há profundidade na personagem e algumas cenas causam uma comoção genuína -- uma delas, envolvendo uma conversa com a personagem de Viola Davis, é especialmente dolorosa. Não sei se tem força para chegar ao Oscar. Provavelmente não. Mas é digna de nota.


O grande problema do filme, e que causa essa pequena decepção, é que a história se embaralha demais. Em um ritmo de novelão, Imperdoável acaba se concentrando demais na personagem de Sandra Bullock. Davis é uma coadjuvante de luxo, com apenas uma cena de destaque, assim como Jon Bernthal e Vincent D’Onofrio. Não foram usados o bastante, nem como deveria.


Mas é a personagem de Katherine (Aisling Franciosi), irmã da protagonista, que faz o filme perder força. Ela está muito aquém do que poderia ser, com uma personagem rasa e sem nenhum tipo de desenvolvimento importante. Fica ali, na superfície. Com isso, a principal âncora emocional de Ruth se torna frágil demais. O vínculo do espectador enfraquece. E por aí vai.


Imperdoável, ainda assim, é um bom filme. Tem a atuação marcante de Bullock, algumas questões interessantes colocadas pelo roteiro de Peter Craig, Hillary Seitz e Courtenay Miles. Só que, no final das contas, algumas coisas importantes foram deixadas para trás. Nora Fingscheidt, sem dúvidas alguma, se deu melhor com System Crasher e o cinema alemão.

 

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