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  • Matheus Mans

Crítica: 'Indecente' é filme policial genérico e esquecível da Netflix


Sabe aquelas produções do canal Hallmark, repletas de pessoas brancas, romances insossos e tramas que não inovam em nada? Podem até ser filmes confortáveis, mas não conseguem passar do lugar-comum. É exatamente esse o caminho que segue Indecente, longa-metragem original e exclusivo da Netflix que chega ao catálogo do serviço de streaming nesta quinta, 13.


Inspirado no romance Virtude Indecente, de Nora Roberts, o filme conta a história de Grace Miller (Alyssa Milano, fraquíssima), uma autora de livros policiais que, numa urgência, vai visitar a irmã. E é nessa visita que toda sua vida se transforma. Primeiramente, passa a se envolver com o detetive Ed (Sam Page) e, depois, choque: a irmã é misteriosamente morta em casa.


A partir daí, acompanhamos a união do detetive sabichão -- que a diretora Monika Mitchell (do fraco Um Passado de Presente) coloca logo de cara brigando com um assaltante de uma lojinha -- com essa escritora de romances policiais que parece saber tudo sobre crimes. É uma união que dá sono: personagens óbvios e rasos, repletos de estereótipos, sem qualquer originalidade.


Indecente, no geral, é assim: pouco memorável, genérico, sem vida. Monika Mitchell não trabalha nenhum aspecto com mais profundidade ou cuidado. Tudo trafega no mundo do banal e da mesmice. Pode existir até certo interesse do espectador sobre o que está sendo contado, principalmente pelo espectador que não liga muito para originalidade e quer algo confortável.


Pior: ainda há uma espécie de demonização de fetiches sexuais. Isso não é claro, nem muito vocalizado. Mas a morte da irmã, que fazia exibições na internet, traz significados ocultos. É um filme deveras conservador, em narrativa e visual, e que agrada um público igualmente conservador. É o típico filme feito para a TV, que começa e termina sem um ponto alto de fato.


O elenco também não ajuda a mudar essa sensação de que estamos parados no mesmo lugar. Alyssa Milano, que já foi uma jovem estrela em ascensão por Comando para Matar e Jovens Bruxas, aqui entrega uma atuação repleta de estereótipos, carregada em uma dramaticidade que preza pela exposição. Sam Page, de Mad Men, é o cara dos filmes Hallmark. Nada inovador.


Dessa forma, no final das contas, Indecente com certeza vai agradar quem gosta dos romances do canal Hallmark e, principalmente, daqueles filmes policiais para televisão -- são todas as fórmulas usadas aqui, sem limites. Mas quem quer algo mais diferente, original e criativo, corra para longe. É a Netflix, como sempre, apenas fazendo catálogo com um filme nada memorável.


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