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  • Matheus Mans

Crítica: 'Inimiga Perfeita' é thriller óbvio e interessante na Netflix


Com cara de filme do Corujão da TV Globo, Inimiga Perfeita tem seus defeitos. No entanto, já fica o aviso: você não vai conseguir desgrudar da tela. Dirigido por Kike Maíllo (de Eva: Um Novo Começo), o longa-metragem conta com uma história simples: um arquiteto que chega em um aeroporto e começa a desenrolar uma conversa com uma jovem que está por lá. Papo vai, papo vem, até que as coisas começam a ficar estranhas. Quem, exatamente, é essa jovem mulher?


A partir daí, Maíllo comanda a dupla de atores (Tomasz Kot e Athena Strates) em jogo de gato e rato interessante. O tom de thriller psicológico toma conta da narrativa conforme as coisas se tornam cada vez mais esquisitas. Maíllo não se preocupa em dar respostas rápidas ao espectador, aumentando consideravelmente o tom de suspense da trama. Com isso, Inimiga Perfeita se torna rapidamente esse suspense que lembra outras produções de outrora pra TV.

O grande ponto positivo, e que diferencia o longa-metragem dessas outras produções do tipo, é o elenco. Enquanto Kot (Guerra Fria) mostra um bom trabalho como esse homem preocupado e, claro, também transtornado, Athena Strates (A Grande Mentira) é quem mais chama a atenção: a sua atuação cheia de raiva, força e posicionamento vai revelando aos poucos o segredo da trama. É interessante notar como Maíllo deposita a força do filme nela, com resultados positivos.


Só o final que desagrada. Apesar de toda uma construção psicológica interessante, o roteiro escrito a seis mãos por Maíllo, Cristina Clemente e Fernando Navarro -- além do romance original de Amélie Nothomb -- derrapa ao seguir pelo caminho mais óbvio e preguiçoso dessa história toda. Parece um filme saído dos anos 1990, talvez anos 2000, em que esse tipo de plot twist era considerado genial, fora da caixinha. Hoje, mais do que batido, é algo já cansativo.


Com isso, Inimiga Perfeita termina em um tom abaixo. Não é ruim, pelo contrário: tem bons momentos, boas atuações e uma tensão crescente, que deixa qualquer um preso na tela. Só faltou um fecho mais digno para essa história que prometia muito, ainda mais com toda a construção no segundo ato. Claro que os roteiristas estavam presos ao que é contado na trama original. Mas será, então, que não poderiam ter dado uma força a mais para esse twist banal?

 

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