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  • Matheus Mans

Crítica: 'Interrompemos a Programação', da Netflix, é filme frustrante


Foi em 2016 que estreou Jogo do Dinheiro, longa com George Clooney e Julia Roberts sobre um rapaz que invade um estúdio de TV armado e faz o apresentador refém. Apesar da qualidade dos nomes por trás do filme, foi decepcionante: faltou intensidade e coesão na história. Agora, um filme chega com a mesma premissa e defeitos semelhantes: Interrompemos a Programação.


Longa-metragem polonês com assinatura da Netflix, o longa-metragem conta a história de Sebastian (Bartosz Bielenia), um rapaz que invade uma emissora de TV bem na virada do Ano Novo. Faz a apresentadora e um segurança refém, enquanto exige entrar no ar para falar de suas demandas. No entanto, as coisas vão se complicando conforme a trama avança, claro.


A ideia, muito similar ao que vimos em Jogo do Dinheiro, é boa. O diretor Jakub Piatek (Users), que assina o roteiro ao lado de Lukasz Czapski, poderia ir por três caminhos mais evidentes. Um seria uma crítica ao sistema de mídia, como um Rede de Intrigas. Há até uma intenção disso, mas não vai além. Outra ideia seria seguir por um caminho mais intenso, mais fincado na ação.

No entanto, Piatek opta pelo caminho mais difícil: dar camadas filosóficas e existencialistas, enquanto deseja que a tensão nasça dessa ausência de acontecimentos. Há, também, o desejo de implementar profundidade em Sebastian, com as conversas que trava com os negociadores e, em determinado momento, com o pai -- numa cena com potencial, mas muito desperdiçada.


O desenrolar de Interrompemos a Programação acaba ficando em suspense, sem uma clareza exata do que está acontecendo e do que o sequestrador quer. Sobre o primeiro ponto, seria muito mais acertado se houvesse vigor na direção. O segundo ponto é, talvez, o único grande acerto do longa-metragem, criando expectativa e brincando com as emoções do espectador.


O final é forte e consolida esse caminho positivo da produção da Netflix, ainda mais com a atuação certeira de Bartosz. Mas não é o bastante. Fica uma sensação frustrante ao final do longa-metragem, a impressão de que é apenas um potencial desperdiçado. Poderia ser mais empolgante, mais inteligente, mais perspicaz. No entanto, é mais um filme que viaja no óbvio.


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