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  • Matheus Mans

Crítica: 'Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio' deixa assombrações de lado


Se tem uma franquia de filmes que assusta qualquer um, essa é Invocação do Mal. Criada por James Wan, a mesma mente por trás de Jogos Mortais, a saga de produções entrou no imaginário com a história de Ed e Lorraine Warren, além de algumas assombrações -- como A Freira, Annabelle e a Chorona. Agora, oito anos depois do primeiro filme, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 3, o terceiro longa-metragem: Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio.


Dirigido por Michael Chaves (do mediano A Maldição da Chorona) e roteirizado por Wan e David Leslie Johnson-McGoldrick (Aquaman, Invocação do Mal 2), o filme é, de longe, o mais "pé no chão" da franquia. Afinal, na história, acompanhamos os Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga) na tentativa de solucionar um caso de possessão demoníaca. No entanto, conforme o caso avança, eles percebem que há algo mais por trás: um possível ritual satânico de possessão.


A partir daí, Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio se torna um filme substancialmente de investigação -- como foram, também, os recentes Rogai por Nós e até O Grito. Ao invés do enfrentamento direto contra uma assombração, Chaves opta por colocar o horror sendo criado e causado por uma outra pessoa. O além, que no caso é representado pela presença do demônio em busca de uma alma para chamar de sua, acaba surgindo apenas por influência terrena.

É uma mudança brusca no tom das outras histórias de Invocação do Mal, que sempre prezaram pela presença frequente de assombrações -- criando, inclusive, franquias quase tão rentáveis quanto essa principal. Para não recair apenas em um suspense, porém, Chaves investe em algo que já tinha mostrado com insistência em A Maldição da Chorona: sustos para todos os lados. Alguns são muito bem encaixados, outros são jump scares banais que não assustam ninguém.


Pensando no roteiro, Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio se equilibra na corda bamba. De um lado, é interessante a corrida contra o tempo dos Warren em encontrar o culpado pela possessão demoníaca em questão. Do outro, há exageros: uma subtrama ali no meio do filme, sobre uma outra garota alvo desse mesmo ritual satânica, não se justifica e não tem qualquer tipo de conclusão. Parece, em determinado momento, que faltou história para esse caso.


Dessa forma, Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio é um filme que deve ficar dividido para o grande público. Alguns devem se empolgar com uma história mais amena e com os jump scares que buscam sustos a todo momento. De outro, alguns vão sentir falta das tradicionais histórias de assombração. O fato é que a franquia dos Warren mostra, enfim, seu primeiro sinal de cansaço. Talvez seja hora de aposentar Annabelle e companhia e buscar, assim, novos horrores.

#Crítica #Cinema #Terror #Filme

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