• Matheus Mans

Crítica: 'Isi & Ossi' é comédia alemã clichê da Netflix


Ao checar o lançamento da Netflix desta sexta-feira, 14, parecia que vinha coisa boa pelo caminho. Isi & Ossi é uma comédia alemã que se propõe a contar a história de um casal, de classes sociais opostas, que se forma após a garota não ter seus desejos realizados -- no caso, um curso de gastronomia nos EUA. Manter o garoto por perto, assim, é chantagear os pais.


No entanto, é claro, que as coisas não saem como o esperado -- como acontecem em todos os filmes de casais fake. As semelhanças são maiores que as diferenças, amizade, blá-blá-blá.


Sendo uma comédia alemã, que tem filmes como Homens e Ele Está de Volta em sua história, espera-se algo minimamente interessante a partir dessa premissa. No entanto, o diretor e roteirista Oliver Kienle (Bis aufs Blut) parece ficar preso aos clichês óbvios e sem vida do gênero. Não inova, não traz grandes reinvenções. Aposta apenas no lugar-comum, sem se arriscar.


A sensação, então, é de que Isi & Ossi é apenas um filme falado em alemão. Mas com uma produção que pode ter vindo de qualquer lugar. Nada transparece os costumes do País, nada é característico. E quanta coisa poderia ser feita por aqui! A Alemanha, sendo o país repleto de particularidades que é, renderia boas sacadas nas mãos de um realizador mais inspirado.

Até mesmo aspectos técnicos não chamam a atenção. A trilha sonora é genérica, sem ter nenhum momento ousado. A fotografia é óbvia. E a ambientação não poderia ser mais global.


Ultrapassando a base da história, porém, encontram-se algumas coisinhas simpáticas. É o caso do avô de Ossi, interpretado pelo excepcional Ernst Stötzner (Frantz), e que tem o arco mais interessante do filme. Suas sacadas são boas e dá para dar boas risadas. Muito diferente da também óbvia interpretação de Lisa Vicari (Luna) e Dennis Mojen (EneMe) para Isi e Ossi.


A grande virtude de Isi & Ossi, por fim, está na falta de excessos. Por mais que o filme esteja todo ancorado em clichês, Kienle nunca se rende totalmente à eles. Não há lição de moral -- e olha que o filme tem oportunidades pra isso! -- nem redenções bobas. Os personagens são frutos de seus ecossistemas e eles precisam aprender a lidar de verdade com isso. E só.


Ou seja: por mais que a história reflita clichês norte-americanos e não se destaque por sua originalidade, há um breve traço alemão aqui de ir "direto ao ponto", sem enrolações. Isso é bom.


Em resumo: Isi & Ossi não é um filme grandioso, tampouco memorável. Seu desenvolvimento é qualquer coisa, sendo apenas destacável por conta dos bons momentos com o avô -- a primeira cena da batalha de rap é hilária -- e por esse breve traço do comportamento alemão. De resto, é aquilo: não sai do lugar e, ao contrário do que parece num primeiro momento, é pouco exótico.

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