top of page

Crítica: 'Isso Ainda Está de Pé?' é filme que traduz, com maestria, importância da comunicação

  • Foto do escritor: Matheus Mans
    Matheus Mans
  • há 13 minutos
  • 3 min de leitura

Muitos ainda torcem o nariz para o cinema de Bradley Cooper, ator e diretor que comandou filmes como Nasce uma Estrela -- a versão com ele e Lady Gaga -- e Maestro, cinebiografia de altos e baixos, mas também repleta de beleza e sensibilidade. Sou um dos poucos que nadam contra a maré. Vejo em Cooper um diretor de mão cheia. É sensível ao mundo ao redor e sabe como traduzir isso em cinema de verdade.


Por isso, não me surpreende como Isso Ainda Está de Pé (Is This Thing On?, 2025) é um filme de beleza única. Terceiro longa-metragem de Cooper, o filme fala sobre um casal que está chegando ao fim. Ela, Tess (Laura Dern), está se reencontrando no mundo do esporte, enquanto ele, Alex (Will Arnett), está em um emprego estável, mas aos poucos descobre no stand-up um de seus passatempos preferidos.


ree

Ou seja: o relacionamento deles está acabando, mas novas descobertas estão surgindo. Mas, mais do que isso, Alex, o grande protagonista dessa história, vê na comédia de palco uma forma de se expressar, de se comunicar. Ele, afinal, não é um comediante tradicional. Não chega no microfone e fala algumas piadas. Pelo contrário. Ele é conhecido como o "cara triste", contando histórias difíceis de sua vida, principalmente em tudo que envolve o relacionamento fracassado com a, agora, ex-esposa.


Interessante como o Bradley Cooper tem se dedicado a falar não apenas sobre altos e baixos em relacionamentos em seus filmes, mas principalmente sobre a comunicação em amores e desamores -- por meio de silêncios, conversas, músicas e até stand-ups. Aqui, ele faz o seu filme mais sensível e delicado, alavancado pelas ótimas atuações de Arnett e Laura Dern, que reflete sobre esse amor que chega ao fim, mas ainda com espaço pra recomeçar (ou não). Segue por caminhos pouco óbvios e entende bem toda essa problemática de como expor seus sentimentos, emoções e, claro, decepções.


Arnett, aliás, está no melhor papel de sua carreira -- com alguma folga, vale dizer. Assinando o roteiro ao lado de Cooper, por conta de improvisações e de textos que escreveu para as cenas de stand-up, o ator consegue emocionar de verdade. Você sente a dor de Alex. Ele está feliz em descobrir novos caminhos e hobbies, mas há uma dor muito verdadeira na voz, no jeito de falar, no vazio de seu apartamento em New York.


Laura Dern pode parecer mais unidimensional, mas é potente demais como os dois se completam em cena. Ela surge poderosa, jogando Arnett, perdido com sua vida como um jovem, ainda mais pra baixo. É interessante a dinâmica, principalmente, quando mais perto do final, o entendimento do stand-up como comunicação enfim se encaixa. O que não é dito na cara é dito, claro, no microfone. A arte volta a ser uma forma de se expressar, assim como a música foi, de forma tão bela, nos outros longas do cineasta.

A piada, a sonata, a música. Tudo isso ganha formatos, formas e entendimentos diferentes nesse cinema de Cooper, que praticamente construiu uma trilogia informal de filmes sobre isso. Relacionamentos, claro (o casal conflituoso em Nasce uma Estrela, o homem em conflito com sua sexualidade em Maestro e, agora, esse casal que ama e não se ama em Isso Ainda Está de Pé?), mas, sobretudo, sobre a arte como expressão máxima do que sentimos. A arte, no final, cura, muda, conversa, ajeita rotas ma traçadas.


Isso Ainda Está de Pé? é belíssimo. O final, no melhor de Cooper, sabe ser explosivo e sereno ao mesmo tempo. Amor e desamor, explosão e serenidade, frustração e realização. Contrastes que, no final, simplesmente se casam e Cooper, assim, faz um dos filmes mais bonitos do ano -- certamente vai entrar na lista de melhores do Esquina em 2026, quando o longa-metragem finalmente chegar às telonas. Merece uma chance.

ree
ree

Comentários


bottom of page