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  • Matheus Mans

Crítica: 'Jurassic World: Domínio' diverte, mas com excesso de erros


Desde o primeiro filme, de 2015, a franquia Jurassic World parece não encontrar o tom certo de contar a história desses dinossauros que voltaram à vida. Enquanto Jurassic Park, de Steven Spielberg, sabia desde o começo que era uma aventura acima de tudo, a nova saga ficou entre o cinema de ação, a aventura e a ânsia em falar sobre questões sociais, ecológicas e ambientais. Agora, todos esses erros ficam ainda mais evidentes com o derradeiro Jurassic World: Domínio.


Dirigido novamente por Colin Trevorrow, que comandou o de 2015, o longa-metragem acontece bem após os eventos do terrível Jurassic World: Reino Ameaçado. A ilha em que os dinossauros ficavam sucumbiu ao fogo e, os que sobreviveram, foram colocados no continente. O problema é que, por conta da ganância do ser humano, eles acabaram fugindo e se misturando ao mundo ao redor. É aí que começa Jurassic World: Domínio, com os dinos espalhados pelo nosso mundo.


Owen Grady (Chris Pratt) e Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) voltam como esse casal preocupado com o que a empresa de genética BioSyn está fazendo com os dinossauros. Mas, mais do que os dois, Jurassic World: Domínio conta com o retorno de três personagens queridos por muitos: Alan Grant (Sam Neill), Ellie Sattler (Laura Dern) e Ian Malcolm (Jeff Goldblum). É o trio de protagonistas de Jurassic Park, de 1993, que não se reunia de fato há quase 30 anos.


O mais legal, e que faz com que Jurassic World: Domínio ganhe alguns pontos, é que Trevorrow não coloca esses personagens apenas como aparições rápidas e que não influenciam nada na trama -- como foi com as participações especiais, e desnecessárias, de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Aqui, eles fazem parte da trama e, mais do que isso, por meio da visão de deboche de Ian Malcolm, há a clareza de como a franquia errou absolutamente na abordagem.

Afinal, o personagem de Goldblum olha tudo ao seu redor percebendo o tosco daquela situação. As promessas feitas aos dinossauros, a maneira com que lidam com os répteis... Ele traz todos os problemas do filme de maneira divertida, causando gargalhadas genuínas. Mostra como a Universal Pictures errou ao mão. Ao deixar tudo sisudo demais, engessado até a espinha, a saga perdeu a conexão com o público que Ian Malcolm, em duas ou três cenas, consegue recuperar.


Além disso, há outros momentos genuinamente divertidos e alguns sustos e cenas de verdadeira tensão na história e que resgatam o que tornou Jurassic Park, há quase três décadas, tão apaixonante. Dá para criar vínculos com os personagens e, ao mesmo tempo, ter medo desses monstros imensos e tão ameaçadores. Obviamente, não chega perto do trabalho de Steven Spielberg. Mas mostra que há, aqui, um desejo em retomar acertos do passado.


O problema, porém, é que os pontos altos de Jurassic World: Domínio param por aí. É uma história divertida? Com certeza. Tem também um tom farsesco de aventura contagiante, assim como uma ou outra cena de tensão mais afinada -- o susto na caverno é de pular da cadeira. Só que o filme, sendo o terceiro dessa nova fase de Jurassic, carrega os erros dos filmes passados. Owen e Claire, por exemplo, não possuem vínculo algum com o público. Sobram na tela.


Além disso, temas densos demais para uma franquia que fala sobre dinossauros que voltam à vida se acumulam aqui. Clones humanos, pragas, colapso ambiental... São temas que foram tratados de alguma forma nos filmes de Jurassic Park, mas que nunca contaminaram a franquia, por pior que fossem as histórias. Aqui, acabam tomando um espaço tão grande que a aventura volta a ficar em segundo plano novamente por conta de reflexões sem profundidade.


Jurassic World: Domínio é o filme mais correto da franquia, principalmente por se deixar levar pela aventura e diversão da coisa toda em vários momentos. Personagens novos sem graça e os erros do passado, porém, impedem que o filme seja um acerto em cheio. Uma pena. Na memória, pelo menos, ficam os momentos mais divertidos e, com esta nova produção, o espaço para celebrar nomes como Dern, Neill e Goldblum no cinemão -- como sempre mereceram.

 

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