• Matheus Mans

Crítica: 'Kin' é mais uma saga juvenil fadada ao fracasso


Difícil precisar quando começou essa nova onda de produções juvenis no cinema, mas a saga do bruxo Harry Potter foi um marco em 2001. Depois disso, afinal, a coisa desabrochou de vez: teve As Crônicas de Nárnia, A Bússola de Ouro, Crepúsculo e Jogos Vorazes. Este último trouxe ainda uma outra leva de produções juvenis, com foco social, distópico e futurista, rendendo frutos como a incompleta e genérica saga de Divergente.

Agora, mais um filme persiste em tentar surfar nessa onda -- que parece estar virando uma fraca marolinha. É Kin, tentativa de saga juvenil comandada pelos irmãos estreantes Jonathan e Josh Baker (responsáveis pelo curta que inspirou Kin) e estrelada por Myles Truitt, Jack Reynor (Detroit em Rebelião), James Franco (Artista do Desastre), Zoë Kravitz (Gemini) e Dennis Quaid (As Quatro Vidas de um Cachorro).

Na trama, o jovem Eli (Truitt) enfrenta um pesado bullying na escola por ser adotado e por seu pai (Quaid) não ter grandes conquistas em sua vida. Até que ele reage e é suspenso. Nesse período sem aulas, então, ele acaba tendo uma relação mais próxima com o irmão (Reynor), que acaba de voltar da cadeia. É aí, então, que começa a história: Eli, sem querer, acaba se tornando alvo de criminosos e de misteriosos motoqueiros.

Difícil a trama escrita por Daniel Casey (do vindouro Velozes & Furiosos 9) ser mais genérica do que é. Parecendo uma grande mistura de tudo que já foi visto no gênero nos últimos anos, Kin não consegue conquistar em nada. A começar pela jornada de seu protagonista que, mesmo sendo carismático, não convence e não consegue se desgrudar de histórias bem similares de Katniss Everdeen, Beatrice Prior e por aí vai.

É absolutamente chocante, aliás, a semelhança da história com Eu Sou o Número Quatro, saga que ganhou uma adaptação fraca nos cinemas, que permanece firme, forte e divertida nos livros de Pittacus Lore -- já são sete publicados pela Editora Intrínseca.

Além disso, todos os conflitos inseridos em Kin são pouco empolgantes. Parece que já dá pra saber como tudo vai se resolver e não há inventividade na forma que tudo é contado ali. Os irmãos Baker não sabem dar um gostinho a mais e nem criar momentos que tragam emoções à flor da pele, por maiores que sejam as possibilidades dadas pela história, pelos personagens, pela ambientação ou, principalmente, por seu forte elenco.

Disso tudo, só o bom visual em cores neon e algumas boas cenas de ação, que ajudam a compôr a história, fazem um bom serviço como um todo para o espectador.

Os atores, aliás, conseguem produzir diamantes a partir da areia. Nada digno de Oscar, é claro, mas o esforço é visível. Myles Truitt se sai bem em sua estreia, ainda que lhe falte carisma e jogo de cintura. Mas vem com o tempo. Jack Reynor convence como uma versão piorada de Peter Quill e ajuda a trazer leveza. Dennis Quaid aparece pouco, mas cumpre o que precisa. É Zoë Kravitz e James Franco, porém, que conseguem trazer para a telona os melhores momentos da história. Estão descontraídos e sabem que dali nada será memorável.

Há também uma participação ao final que não surpreende ninguém. Quem viu a ficha técnica do filme, já poderia esperar isso. Quem não viu, mesmo assim, vai ficar sem entender muito bem em onde aquela inserção no elenco quer chegar. Fica bem artificial.

Mas nada disso adianta, já que todos são esterótipos ambulantes. Franco é o gângster que quer se vingar e matar a qualquer custo, Kravitz é a stripper gente boa que busca a oportunidade de mudar de vida, Reynor é o criminoso que tenta ser mais responsável.

Kin, assim, é apenas mais um exemplo de como essa onda de filmes juvenis distópicos -- e, talvez, filmes juvenis como um todo -- foi morta, enterrada e sepultada com o fracasso de Divergente, que nem chegou ao seu último capítulo nos cinemas. Não há mais para onde correr, por enquanto. O resultado são filmes como esse, genéricos, sem alma e sem momentos para marcar a história do cinema moderno. É, sem dúvidas, um sinal de que as produtoras devem parar, repensar suas estratégias e entrar em outro ciclo.